Tradicional player na cabotagem, a Posidonia está expandindo sua frota de apoio marítimo em meio ao aquecimento das atividades de exploração e produção (E&P) de óleo e gás.
A empresa de navegação concluiu, recentemente, a aquisição do PSV Posidonia Lion, seu primeiro navio híbrido e apenas o terceiro desse tipo em operação no Brasil. A embarcação integra motores a combustão e propulsão diesel-elétrica, reduzindo consumo de combustível e emissões de CO2,. Possui também um banco de baterias que assegura maior confiabilidade, funcionando como backup.
A Posidonia tem ainda dois PSVs em construção no estaleiro Mauá, na Baía de Guanabara, no estado do Rio de Janeiro.
O CEO da empresa, Alex Ikonomopoulos, conversou com a BNamericas sobre seus planos, que incluem diversificar sua frota, incluindo embarcações de acomodação offshore.
BNamericas: A Posidonia é um player tradicional na cabotagem. Como foi sua entrada no apoio marítimo?
Ikonomopoulos: O offshore não é exatamente novidade, mas foi o último segmento em que investimos. A empresa já estava preparada há muitos anos, mas, com o mercado em baixa até 2021, optamos por focar na cabotagem. Em 2022, iniciamos no apoio marítimo e, em 2023, colocamos um grande plano de investimentos em prática. Compramos seis PSVs, estamos concluindo a compra de mais dois e temos dois AHTSs em operação. Além disso, temos dois PSVs em construção no estaleiro Mauá, que devem ser entregues entre 2026 e 2027.
BNamericas: Como está o status contratual da frota hoje?
Ikonomopoulos: Temos 100% da frota contratada. Sete embarcações estão com a Petrobras e uma com a PRIO. Os barcos em construção ainda não têm contrato, mas, a partir do fim deste ano ou início do próximo, vamos iniciar uma ofensiva comercial para empregá-los.
BNamericas: A decisão de construir essas embarcações dialoga com a retomada da estratégia da Petrobras de buscar novos barcos construídos no Brasil?
Ikonomopoulos: Dialoga, mas não foi a razão principal. Compramos duas embarcações que pertenciam à massa falida da Brasil Supply e resolvemos concluir as obras. Isso foi em 2023. Claro, o movimento dialoga com a reorientação da Petrobras, mas o que nos motivou foi a oportunidade concreta de terminar essas construções com upgrades e tecnologia.
BNamericas: Além de PSVs e AHTSs, vocês consideram operar ou construir outras classes de embarcações?
Ikonomopoulos: No momento, estamos consolidando nosso crescimento no apoio marítimo. Mas, sim, pensamos em outras classes no futuro. Já estudamos projetos de barcos de acomodação, os chamados flotéis. A Petrobras, que, antes, contratava apenas unidades grandes, tem buscado flotéis menores, com cerca de 120 camas. Esse nicho nos interessa muito, até porque coincide com barcos projetados para o setor eólico offshore que, diante da baixa global do setor, buscam novos mercados.
BNamericas: Como vocês veem o cenário de crescimento do setor de apoio marítimo no Brasil?
Ikonomopoulos: O mercado segue em ritmo de crescimento. Devemos ter cerca de oito FPSOs comissionados até 2028/2029. Apesar da oscilação do preço do barril, não acreditamos em desvios nesses planos. O Brasil chegou a 5 milhões de barris por dia produzidos em julho, partindo de cerca de 3 milhões de barris por dia em 2020. A Margem Equatorial é uma nova fronteira que vai exigir uma nova frota dedicada. Além da Petrobras, temos players como BP, PRIO, Brava Energia, Trident Energy, Shell, Equinor e TotalEnergies investindo. Acreditamos que, até 2030, o mercado será ainda mais promissor.
BNamericas: O descomissionamento offshore pode gerar oportunidades para vocês?
Ikonomopoulos: Sim. As empresas têm compromisso com a ANP, e isso abrirá espaço especialmente para AHTSs e embarcações com guindastes. Temos um time com expertise em subsea, o que nos dá vantagem.
BNamericas: Como vão as taxas diárias de afretamento das embarcações?
Ikonomopoulos: Vivemos a dinâmica global de shipping, baseada em oferta e demanda. Nos últimos 18 meses, vimos uma forte alta, mas o mercado é cíclico. A Petrobras trabalha com contratos longos – três mais três anos ou quatro mais quatro, e em construções, até dez ou doze anos. Isso dá previsibilidade. O diálogo recente da companhia com armadores é positivo e pode trazer equilíbrio.
BNamericas: A Petrobras apresentou, recentemente, estudos sobre demanda futura de embarcações?
Ikonomopoulos: Sim, já fez algumas apresentações. Eles anunciaram a contratação de 44 barcos e, de tempos em tempos, compartilham estimativas de demanda.
BNamericas: Sobre o estaleiro Mauá, como foi a decisão de construir lá, já que o estaleiro enfrentava dificuldades?
Ikonomopoulos: Nosso diálogo com o Mauá começou há dois anos, quando fizemos preparações de barcos para contratos da Petrobras. Encontramos ali um corpo técnico e comercial de excelência e uma estrutura adequada. A parceria foi se solidificando e nos sentimos confortáveis em levar as obras para lá. O projeto foi aprovado pelo BNDES e pelo Fundo da Marinha Mercante [FMM].
BNamericas: E por que decidiram adquirir PSVs híbridos neste momento? Qual a estratégia?
Ikonomopoulos: Buscamos sempre as melhores oportunidades de mercado. Encontramos um barco já dotado de bateria e entendemos que faz sentido investir em embarcações grandes, próximas de 5 mil toneladas, alinhadas à transição energética. Já colocamos o PSV Lion em operação e devemos expandir esse tipo de investimento.
BNamericas: Quem são os principais parceiros tecnológicos da Posidonia nesses projetos?
Ikonomopoulos: Nossos grandes parceiros hoje são Kongsberg, GE, Wärtsilä e Caterpillar.