Anglo American e Teck anunciam fusão histórica e criam gigante global do cobre e do minério de ferro

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A indústria da mineração vive um de seus maiores movimentos em mais de uma década. Nesta terça-feira (9), a britânica Anglo American e a canadense Teck Resources anunciaram a fusão de seus negócios, criando a Anglo Teck — um grupo com valor de mercado superior a US$ 53 bilhões e que já nasce como um dos cinco maiores produtores globais de cobre.

O acordo, que ainda depende de aprovação regulatória e deve ser concluído em até 18 meses, é considerado o maior processo de fusões e aquisições do setor em mais de dez anos. Pela proposta, os acionistas da Anglo American ficarão com 62,4% da nova empresa, enquanto os da Teck deterão os 37,6% restantes. A Anglo Teck terá sede no Canadá, mas será listada na Bolsa de Londres.

Brasil como pilar estratégico

O Brasil terá papel central na nova companhia. A operação da mina de minério de ferro Minas-Rio, localizada em Conceição do Mato Dentro (MG), foi destacada como um dos principais pilares da Anglo Teck. O sistema produz minério de ferro premium, considerado essencial para processos de descarbonização da cadeia do aço, e seguirá como ativo prioritário.

Além disso, o grupo prevê a integração dos recursos minerais da Serra da Serpentina, também em Minas Gerais, o que deve garantir a continuidade operacional da região por décadas.

“Estamos muito felizes com esta parceria, confiantes de que estamos iniciando um novo momento na mineração global. O Brasil ocupa um lugar relevante e estratégico nesta fusão”, afirmou Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil.

Segundo ela, a união deve acelerar investimentos e ampliar a contribuição das operações brasileiras para o desenvolvimento nacional, com foco em inovação, sustentabilidade e diálogo com as comunidades.

Portfólio diversificado

Com a fusão, a Anglo Teck passará a ter um portfólio robusto e diversificado, que inclui:

Seis ativos de cobre de classe mundial, consolidando a empresa como uma das maiores produtoras do mineral.

Operações de minério de ferro de alto teor, como o Minas-Rio.

Negócios em zinco e, opcionalmente, em nutrientes agrícolas.

Esse perfil garante à companhia presença em minerais considerados estratégicos para a transição energética e para cadeias industriais de baixo carbono.

Movimentações paralelas

A Anglo American reforçou que a fusão não altera seu compromisso de concluir a venda dos ativos de níquel em Goiás para a chinesa MMG, em uma transação avaliada em US$ 500 milhões, ainda em análise por órgãos regulatórios.

O que esperar daqui para frente?

Especialistas avaliam que a fusão pode reposicionar o mapa global da mineração, reforçando a concentração de ativos em cobre — um mineral-chave para a eletrificação e para as energias renováveis. O Brasil, com destaque para Minas Gerais, ganha peso como polo estratégico da Anglo Teck, tanto pela relevância do minério de ferro de baixo impacto ambiental quanto pelo potencial de expansão em outras frentes.

Se aprovada, a fusão poderá abrir caminho para novos investimentos, geração de empregos e maior integração entre mineração e inovação tecnológica no país, mas também levanta o desafio de garantir que o crescimento venha acompanhado de práticas sustentáveis e diálogo constante com as comunidades locais.

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