Siderúrgicas brasileiras enfrentam demissões e queda na rentabilidade devido à pressão das importações de aço chinês e tarifas nos EUA

Desde junho, o aço brasileiro enfrenta uma tarifa de 50% nos Estados Unidos, impactando severamente as siderúrgicas locais. A situação se agrava com o aumento das importações de aço chinês, que saltaram de 2,3 milhões de toneladas em 2017 para quase 6 milhões de toneladas em 2024. Essa mudança no mercado tem gerado preocupações entre as empresas do setor.

A Gerdau, uma das maiores siderúrgicas do Brasil, anunciou a redução de investimentos e demissões, com 1.500 trabalhadores desligados desde o início do ano. O presidente da empresa, Gustavo Werneck, criticou a falta de medidas de defesa comercial do governo federal. A Usiminas e outras siderúrgicas também enfrentam queda na rentabilidade, com uma capacidade ociosa de 34%.

Os dados do Instituto Aço Brasil revelam que as importações de aço representavam 12% do consumo aparente em 2017 e atingiram 23% no ano passado. A crise no setor imobiliário da China, que começou em 2021, facilitou a exportação de aço para o Brasil, prejudicando a produção local. A consultoria McKinsey & Company alerta que uma margem de 15% é necessária para a sustentabilidade econômica das siderúrgicas, mas a Usiminas, por exemplo, opera com uma margem de apenas 5%.

Impactos no Mercado

O preço do aço laminado a quente na China varia entre US$ 400 e US$ 500, enquanto o preço médio no Brasil gira em torno de R$ 4.000. Essa diferença de preços pressiona as margens de lucro das siderúrgicas brasileiras. Daniel Sasson, analista do Itaú BBA, destaca que a competição com o aço importado tem afetado a rentabilidade do setor.

Além disso, o governo enfrenta dificuldades em implementar barreiras comerciais mais rigorosas, temendo descontentar a China, um importante parceiro comercial. O lobby de setores que se beneficiam das importações, como o de maquinários, também complica a situação. A ArcelorMittal, maior produtora de aço do Brasil, prevê que a rentabilidade cairá devido à concorrência com o aço chinês, colocando em risco R$ 10 bilhões em investimentos no país.

As siderúrgicas brasileiras, que empregam milhares de trabalhadores, estão em um momento crítico, com a pressão das importações chinesas e a necessidade de adaptação ao novo cenário de mercado.

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