O terminal portuário de Estrela, parcialmente destruído pela enchente de 2024, retoma de forma parcial as atividades e os projetos para atrair novas empresas ao espaço. O objetivo é transformar a estrutura do porto em modelo, com maior utilização do modal hidroviário, implantação de iniciativas resilientes e construção de um parque de eventos.
O investimento para recuperar totalmente o espaço está avaliado em R$ 12 milhões. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agronegócio, Rafael Mallmann, a restauração total do complexo portuário deve ocorrer no período de um ano. No entanto, o município recebe integrantes do Banco de Desenvolvimento do RS (Badesul) e do Instituto de Recursos Mundiais (WRI) na próxima semana para avaliar o espaço.
A expectativa é que parte dos recursos seja contemplada por meio de projetos que apresentem medidas baseadas na natureza para minimizar os impactos de uma possível enchente. Além disso, a Empresa Pública de Logística Estrela (E-Log) também projeta a retomada das atividades na sede, assim como a instalação de uma nova empresa no complexo.
Inicialmente, o porto será reativado com a movimentação de areia usada na construção civil. A previsão é de que duas embarcações operem por semana, número bem abaixo do ritmo anterior à enchente, quando havia carga quase diária.
Retomada da navegação
O secretário de Desenvolvimento explica que a administração municipal avança com a instalação de uma empresa do setor do reparo de embarcações e de mineração. A previsão, segundo ele, é que as primeiras navegações ocorram em outubro com transporte de areia. Neste momento, é verificada a operação junto à Barragem de Bom Retiro do Sul.
Sócio da empresa STX Inspeções e Montagens Industriais, Sérgio Teixeira esclarece que as atividades com embarcações que movimentam areia devem iniciar ao trabalho no porto. Posteriormente, a previsão é que o estaleiro entre em funcionamento. O espaço cedido é de dois hectares.
Na avaliação de Mallmann, o terminal também poderá ser beneficiado pela hidrovia do Mercosul futuramente, caso o projeto que liga o RS ao Uruguai seja consolidado. Ele ressalta, entretanto, que será necessário dragar os rios gaúchos assoreados pelas cheias de 2024 e ampliar o calado do Rio Taquari, hoje de cerca de 2,5 metros.
Recuperação do complexo
presidente da E-Log, José Alves, destaca a grande estrutura a ser aproveitada no porto de Estrela. A recuperação do espaço, com 49 hectares e localizado às margens do Rio Taquari, iniciou no primeiro semestre do ano com um mutirão de limpeza promovido pela autarquia. A expectativa, segundo ele, é que as atividades na sede da autarquia sejam retomadas até outubro.
Além da estrutura da autarquia, os silos são reconstruídos. “Nos últimos meses foram colocados piso e telhado, bem como feita a pintura das paredes. Ainda há alguns trabalhos, como a recuperação dos silos horizontais, mas é possível ocupar a sede da E-Log”, afirma Alves. Atualmente, a empresa Nutritec utiliza parte do complexo para logística de grãos.