
As exportações de sucata ferrosa voltaram a aumentar em agosto último, ao alcançarem 71.476 toneladas, expansão de 9,5% em relação ao mesmo mês de 2024, 65.254 toneladas. De janeiro a agosto, o crescimento das vendas externas de sucata já atinge 573.306 toneladas, mais 14,2% em comparação a igual período de 2024 (502.208 toneladas). Em relação a julho deste ano, declinaram 15,03%, conforme dados divulgados pelo Ministério da Economia, Secex.
O aumento das exportações em agosto e no ano – referentes apenas aos volumes excedentes não consumidos internamente – ocorre em meio ao baixo interesse na aquisição de sucata ferrosa pelas usinas siderúrgicas no Brasil, que continuam sendo impactadas com a política de tributação do governo dos EUA nas exportações de aço, segundo o Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), órgão de classe que representa mais de 5,5 mil empresas recicladoras que praticam a economia circular, reinserindo materiais reciclados no ciclo da transformação.
Conforme levantamento do final de agosto da S&P Global Platts, “o pessimismo ecoou as discussões do Congresso Aço Brasil, onde executivos destacaram que as importações recordes vêm comprimindo margens das siderúrgicas para níveis abaixo do sustentável, diminuindo o apetite por matérias-primas como a sucata.”
Segundo a Global Platts, grandes pátios de reciclagem reduziram a coleta, enquanto operadores menores relataram dificuldades em arcar com custos trabalhistas e de conformidade. “Está tudo parado, todos com medo de investir”, disse um reciclador, observando que alguns players já enxugaram equipes.
PEC DA RECICLAGEM
A boa notícia aos recicladores é o avanço da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Reciclagem, de autoria do deputado Federal Arnaldo Jardim, que obteve mais de 180 assinaturas dos deputados, número acima do necessário, e foi apresentada sob o nº 34-2025, para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e na Comissão Especial da Casa Legislativa.
A PEC da Reciclagem propõe alteração na Constituição Federal para assegurar aos insumos reciclados tributação inferior à incidente sobre matérias-primas virgens extraídas da natureza. Conforme Clineu Alvarenga, presidente do Instituto Nacional de Reciclagem (Inesfa), se aprovada, “a PEC trará um importante alívio ao setor, essencial para a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), desenvolvimento da economia circular e preservação do meio ambiente, mas que vem sendo deixado de lado a necessidade de incentivo fiscal.”
Uma das principais consultorias do Brasil na área de metalurgia, entre outros segmentos, a MaxiQuim, deve concluir em breve estudo a pedido do Inesfa com informações atualizadas do setor de reciclagem de materiais ferrosos, tais como volume, geração, processamento.
“Assim como já fez para os recicladores de papel e plástico, a consultoria está levantando os dados do mercado de reciclados de ferro e aço. Os três estudos serão importantes como referência ao governo federal para instituir políticas públicas assertivas ao incremento da reciclagem e desenvolvimento da economia circular”, diz Alvarenga.