
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou um chamamento público inédito para empresas interessadas em recuperar e operar trechos ferroviários subutilizados. O projeto começará com dois traçados sob controle da concessionária FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), visando revitalizar a malha ferroviária em Minas Gerais e Rio de Janeiro.
O primeiro trecho abrange a ligação entre Arcos (MG), Barra Mansa (RJ) e Angra dos Reis (RJ), com aproximadamente 610 km de extensão. Este traçado possui potencial para o transporte de calcário, siderurgia e turismo. O segundo trecho, de 130 km, conecta Varginha a Lavras (MG), focando no escoamento do café do sul mineiro e na mobilidade interurbana.
Potencial de Investimentos
Estudos do Ministério dos Transportes indicam que essas linhas, atualmente pouco movimentadas, têm capacidade para atrair novas cargas e estimular o desenvolvimento regional. Os projetos serão integrados ao Novo PAC, garantindo prioridade e possibilidade de investimentos públicos em obras. O secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, destacou que o chamamento permitirá testar o interesse privado sem comprometer o orçamento público.
Diferente das concessões tradicionais, o modelo de chamamento busca verificar o interesse de empresas em assumir trechos degradados. A autorização de exploração poderá ser concedida por até 99 anos, seguindo a Lei das Autorizações Ferroviárias, que oferece mais flexibilidade. Santoro explicou que o operador terá liberdade para movimentar cargas e passageiros, além de desenvolver negócios associados ao longo da ferrovia.
Acordo Histórico
Paralelamente, o governo federal está próximo de fechar um dos maiores acordos ferroviários da história, com a renovação antecipada da concessão da VLI, que opera a malha da FCA. O acerto prevê R$ 28 bilhões em investimentos obrigatórios, incluindo a renovação de 4.138 km de trilhos e a devolução de 3.082 km à União para novos interessados.
Além disso, outros seis trechos ferroviários voltados para o transporte de passageiros já estão incluídos no Novo PAC e devem ser oferecidos ao mercado em 2026. Esses projetos visam melhorar a mobilidade e a logística em diversas regiões do Brasil, como o traçado entre Brasília e Luziânia (GO) e a ligação entre Salvador e Feira de Santana.