Huawei e Vale avaliam mineração inteligente no Brasil

A gigante chinesa de tecnologia Huawei informou na segunda-feira (15) que mantém conversas com a Vale para implantar um projeto de “minas inteligentes” conectadas em redes 5G Avançadas, ou 5,5G. A companhia chinesa participou de conferência com jornalistas latino-americanos na mina de carvão Yimin, na região autônoma da Mongólia Interior, no Nordeste da China.

Localizada a 70 quilômetros de Hulunbuir – a cidade mais extensa do mundo com mais de 263,9 mil quilômetros quadrados -, Yimin é a maior mina de carvão a céu aberto da China. Em maio, a mina começou a operar com 100 caminhões elétricos autônomos, sem cabine de motorista, com capacidade de transportar 90 toneladas de carvão por viagem. Juntos, os veículos carregam e descarregam 252 mil toneladas de carvão mineral por dia.

“Nossa intenção é selecionar algumas minas do México, Brasil e Chile para testar o sistema de integração veículo, rede e nuvem”, informou o gerente-geral da unidade de negócios de petróleo, gás e mineração da Huawei, Shao Qi. “Também estamos em conversas com a Vale, uma das maiores mineradoras de ferro”, completou.

As redes 5,5G prometem maior velocidade de transmissão de dados, menos tempo de resposta (latência) – uma característica importante para o controle de veículos autônomos – e maior eficiência energética em comparação com as redes 5G atuais.

No Brasil, as operadoras Claro, TIM e Vivo realizam testes de 5,5G desde meados de 2024, mas a nova geração das redes móveis ainda não tem previsão para entrar em operação comercial no país.

A Vale possui um projeto de monitoramento de equipamentos e veículos autônomos com a operadora Vivo, em redes 4G, nas minas de Carajás (PA) e São Gonçalo do Rio Abaixo (MG). Em 2024, as empresas ampliaram a parceria para digitalizar a comunicação nos 980 km da Ferrovia Carajás, operada pela Vale, por meio de uma rede privativa, que será concluída nos próximos anos, informou a Vivo em comunicado.

Procurada pela reportagem, a Vale preferiu não comentar.

Maior consumidora de carvão mineral, a China investe em automação de minas. Em Yimin, o plano é dobrar a frota de caminhões autônomos em 2026, informou o diretor da mina e sub-gerente-geral da Huaneng Yimi Carvão e Eletricidade, Shu Yingqiu. “Esperamos ter a aprovação [para ampliar a frota de autônomos] ainda este ano”, disse Yingqiu. “O próximo passo é tornar 100% da coleta de carvão autônoma.”

“Nossa intenção é selecionar minas do México, Brasil e Chile para testar o sistema”

— Shao Qi

O projeto realizado na mina de Yimin é uma parceria entre o grupo estatal China Huaneng, responsável pela gestão da mina de carvão criada em 1984 e pela geração de energia termelétrica; a Xuzhou Construction Machinery Group (XCMG), multinacional chinesa que fabrica e comercializa máquinas pesadas; a Huawei Technologies; e a State Grid Smart Internet of Vehicles, empresa de infraestrutura de carregamento de veículos elétricos.

Os veículos estão conectados por redes 5G Avançadas privadas, dedicadas à operação, contando com monitoramento via inteligência artificial e dados armazenados em nuvem operados pela Huawei.

Os executivos da Huaneng e da Huawei não informaram o investimento total no projeto da mina inteligente de Yimin.

Com os caminhões autônomos, Shao, da Huawei, projeta que a mina inteligente de Yimin gere uma economia de diesel de 158 mil yuans por caminhão (R$ 118 mil). A economia da frota de 100 caminhões é estimada em 15 mil toneladas de combustível ao ano.

Atualmente, Yimin possui capacidade produtiva de 35 milhões de toneladas por ano, sendo 12 milhões de toneladas usadas para geração de energia termelétrica e o restante vendido a províncias próximas, informou Yingqiu.

Como o carvão é a principal fonte de energia da China, o país tem impulsionado a transição para uma indústria de carvão mineral mais moderna. Em 2023, 61,3% da energia consumida pelo país foi gerada por carvão mineral, combustível fóssil considerado uma das fontes mais poluidoras do planeta, segundo os dados mais recentes da Agência Internacional de Energia (IEA).

A atualização das minas de carvão na China para ‘minas inteligentes’ é uma determinação do governo. Segundo a Administração Nacional de Energia da China (NEA), os padrões para a criação de minas inteligentes no país serão definidos até 2030.

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