Exportações de ferro-gusa de Sete Lagoas sentem impacto do tarifaço e recuam junto com queda de 89% nas vendas aos EUA

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As exportações de Sete Lagoas para os Estados Unidos despencaram 89% em setembro de 2025, somando apenas US$ 2 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Embora o número represente todas as vendas externas do município, o setor de ferro e aço — especialmente o ferro-gusa — foi o mais atingido, refletindo os efeitos do tarifaço imposto pelo governo norte-americano e a suspensão de contratos no mercado internacional.

O ferro-gusa, principal produto da cadeia siderúrgica de Sete Lagoas, vinha registrando recuos sucessivos ao longo do ano. Dados da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) indicam que, em todo o estado, as exportações do produto caíram 73,6% entre julho e agosto de 2025, antes mesmo do tombo mais recente em setembro. A retração confirma o impacto das tarifas de importação sobre produtos siderúrgicos brasileiros, que chegaram a 50% em alguns casos.

“As usinas estão com embarques suspensos e contratos em revisão. O mercado norte-americano, que é o principal destino do ferro-gusa mineiro, praticamente parou de comprar”, afirma uma fonte do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer). “Sete Lagoas é uma das cidades mais afetadas, com risco direto para milhares de empregos.”

Com 23 empresas siderúrgicas no segmento, Sete Lagoas responde por uma fatia relevante da produção de ferro-gusa de Minas Gerais. O produto é usado como matéria-prima na fabricação de aço e tem nos EUA seu principal comprador. Segundo estimativas do setor, cerca de 70% das exportações locais têm como destino o mercado americano.

A situação tem levado algumas plantas industriais a reduzir o ritmo de operação, adiar investimentos e até conceder férias coletivas. O Grupo AVG/IFG, que investe R$ 200 milhões na ampliação de sua capacidade produtiva na cidade, avalia ajustar o cronograma de obras em função da retração da demanda externa.

“O problema não é só o imposto — é a incerteza. Nenhuma empresa exportadora consegue planejar embarques com estabilidade quando há risco de novas tarifas”, explica um empresário do setor que preferiu não se identificar. “Muitos contratos foram suspensos preventivamente.”

O Sindifer estima que, caso o cenário de restrições comerciais se mantenha, Sete Lagoas pode perder até R$ 1,5 bilhão em receitas de exportação neste ano. A entidade também alerta para o risco de quatro mil postos de trabalho diretos e indiretos no polo siderúrgico local.

A FIEMG e o Sindifer defendem que o governo federal intensifique as negociações diplomáticas para atenuar o impacto das tarifas e busque novos mercados consumidores, especialmente na Ásia e na Europa.

“O Brasil precisa diversificar destinos e investir em acordos bilaterais. Hoje dependemos demais dos EUA”, reforça a nota da FIEMG.

Enquanto isso, os dados mais recentes do ComexStat, sistema oficial do MDIC, devem confirmar nas próximas semanas o desempenho exato do ferro-gusa de Sete Lagoas em setembro — informação essencial para dimensionar o impacto real sobre o principal produto exportado da cidade.

Contexto

Minas Gerais responde por cerca de 70% das exportações brasileiras de ferro-gusa, um mercado de US$ 1,65 bilhão em 2024.

O ferro-gusa é obtido pela fusão de minério de ferro e carvão vegetal e serve de insumo básico para a produção de aço.

Os EUA são o maior comprador mundial do produto brasileiro, usado em fundições e na indústria automotiva.

Desde julho de 2025, o governo americano vem aplicando tarifas adicionais sobre derivados de ferro e aço, o que afetou diretamente siderúrgicas mineiras.

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