
Em outubro de 2025, a indústria siderúrgica brasileira enfrenta um cenário desafiador, marcado por ajustes nos preços do aço, queda nas vendas internas e aumento das importações. As principais siderúrgicas do país, como CSN, ArcelorMittal e Gerdau, anunciaram reajustes nos preços de seus produtos, com aumentos variando entre 7% e 8% para bobinas a quente e entre 3% e 4% para outros produtos, incluindo vergalhões e barras. Esses reajustes visam compensar a pressão de custos e a queda nas vendas internas.
Apesar dos esforços para recuperar margens, as vendas de aços planos apresentaram uma queda de 3,6% em agosto de 2025, totalizando 337,4 mil toneladas. As compras também diminuíram 12,3% em relação a julho, somando 327,6 mil toneladas. No acumulado do ano, as vendas e compras apresentaram quedas de 0,1% e 0,4%, respectivamente.
O estoque de aço no país fechou em 1,08 milhão de toneladas, representando um giro de 3,2 meses, considerado elevado pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda). As importações recuaram 5,7% em relação a julho e 16,2% frente a agosto do ano passado, totalizando 241,4 mil toneladas. No entanto, os laminados a quente, especialmente provenientes da China, continuam a pressionar o mercado interno.
Além disso, a proposta da União Europeia de reduzir as cotas de importações de aço pela metade e aumentar as tarifas em 50% preocupa o Instituto Aço Brasil. A medida pode acentuar o risco de desvios de comércio e desequilíbrio no mercado internacional, afetando ainda mais a indústria siderúrgica brasileira.
Outro fator de risco para o setor siderúrgico é a recente imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o que pode tornar inviáveis as exportações de aço e alumínio. O impacto estimado para o setor é alto — a FIEMG projetou perdas de até R$ 175 bilhões em médio e longo prazos, com efeito particularmente severo para a metalurgia e produtos de metal. Como o aço representa uma parcela importante nas exportações brasileiras aos EUA (cerca de US$ 5,7 bilhões em 2024), essas barreiras tarifárias geram incertezas quanto à continuidade dos embarques para aquele mercado.
Apesar das dificuldades, o setor espera uma leve recuperação nas vendas e compras internas em setembro, com previsão de alta de 5% em relação a agosto. No acumulado até setembro, o Inda projeta um avanço de 0,8% nas vendas.
Em resumo, a indústria siderúrgica brasileira enfrenta um cenário desafiador em outubro de 2025, com ajustes nos preços do aço, queda nas vendas internas e aumento das importações, além das tarifas dos EUA. A resposta estratégica das empresas e medidas governamentais serão cruciais para a recuperação do setor nos próximos meses.
Seguiremos monitorando o mercado spot para confirmar a aplicação dos reajustes anunciados.