Concorrência internacional e volatilidade global desafiam siderurgia brasileira

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O setor siderúrgico brasileiro encerrou setembro com sinais de desaceleração no consumo e pressão renovada da concorrência estrangeira, em meio a um ambiente global de reacomodação da demanda e margens comprimidas. Segundo relatório do J.P. Morgan, o consumo aparente de aço no Brasil caiu 4,6% em relação a setembro de 2024, embora tenha registrado alta de 3,9% frente a agosto, acumulando crescimento de 4,7% no ano.

A retração foi puxada sobretudo pela queda de 7,4% no consumo de aços planos, enquanto os aços longos sustentaram o avanço mensal. Mesmo com uma leve redução nas importações em setembro, o volume acumulado em 2025 ainda é 9,6% superior ao do ano anterior, impulsionado pelos produtos planos. Para os analistas Rodolfo Angele e Tathiane Martins Candini, a ausência de medidas antidumping oficiais mantém o mercado nacional sob pressão, beneficiando empresas com maior presença no exterior, como a Gerdau.

Enquanto o Brasil lida com a competição asiática e com a incerteza regulatória, o panorama internacional começa a dar sinais de melhora. De acordo com o mais recente relatório Short Range Outlook da World Steel Association (Worldsteel), a demanda global por aço deve crescer 1,3% em 2026, atingindo cerca de 1,77 bilhão de toneladas. O avanço, ainda modesto, marca uma reversão após um período de estagnação previsto para 2025, e reflete a moderação na queda da demanda chinesa e a expansão em economias emergentes como Índia, Arábia Saudita, Egito e Vietnã.

Na China, principal consumidor e produtor de aço do planeta, o consumo deve recuar 2% em 2025 e 1% em 2026, ritmo menor que o observado desde 2021, com o desaquecimento do setor imobiliário e restrições ambientais pesando sobre a produção. Já a Índia segue como destaque positivo, com expectativa de crescimento de 9% no consumo entre 2025 e 2026, impulsionada por investimentos em infraestrutura e forte demanda interna. Nos Estados Unidos e na Europa, a recuperação deve ganhar tração moderada — apoiada em gastos com obras, defesa e infraestrutura —, com altas previstas de até 3% em 2026.

Na América Latina, a Worldsteel projeta aumento de 5,5% na demanda regional, impulsionado pelos mercados brasileiro e argentino, que começam a reagir a estímulos industriais e à melhora da confiança dos consumidores.

Neste contexto, a Gerdau vem reforçando sua posição no mercado norte-americano. A companhia comunicou recentemente a elevação de US$ 40 por tonelada curta no preço do vergalhão nos EUA, movimento que segue reajustes similares feitos por concorrentes locais e se apoia na demanda aquecida favorecida pelas tarifas de importação impostas pelo governo americano. Analistas do UBS BB destacaram que o ajuste ocorre após um aumento anterior de US$ 35 nas vigas de aço — também bem absorvido pelo mercado — e reforçam a preferência pela Gerdau dentro do setor por sua exposição ao ambiente externo, menos vulnerável à concorrência asiática.

Já no comércio exterior, os preços das placas de aço brasileiras registraram leve queda percentual na última semana, resultado de uma estratégia comercial para ampliar participação de mercado. A movimentação reflete uma reorganização de destinos: após semanas de embarques concentrados na Europa, a demanda dos Estados Unidos voltou a crescer, atraindo novamente os exportadores brasileiros.

Fontes de mercado indicam que os estoques norte-americanos estão baixos, abrindo espaço para negociações e sustentando o interesse por produtos brasileiros. “Estamos recebendo boas consultas por placas e priorizando esse segmento. É o nosso foco principal no momento”, afirmou um produtor.

O desempenho recente do setor siderúrgico evidencia o momento de transição da indústria global do aço. De um lado, há pressões por custos e disputas comerciais que restringem margens; de outro, sinais de recuperação em mercados-chave começam a oferecer fôlego a empresas com atuação internacional diversificada. No Brasil, entretanto, a falta de instrumentos de defesa comercial e o avanço das importações ainda mantêm o setor em compasso de alerta.

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