Os papéis da Usiminas (USIM5) dispararam 10,53%, a R$ 5,46, na sessão desta segunda-feira (27), figurando entre as maiores altas do índice Ibovespa.
O avanço acontece após o pregão da última sexta-feira (24), em que os papéis caíram em repercussão à divulgação dos resultados negativos do terceiro trimestre da companhia, que reportou prejuízo de R$ 3,5 bilhões no período.
Segundo Gabriel Mollo, analista de investidor da Daycoval Corretora, o papel é contaminado pela animação do mercado em razão do diálogo entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva.
“Se, porventura, vier uma revisão das tarifas, tanto ela quanto CSN (CSNA3) podem se beneficiar em uma redução de tarifas e consequentemente conseguir vender mais dos seus produtos”, diz o analista.
Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, detalha que o presidente Lula pediu, durante a reunião, para que Trump isentasse dos 40% de taxa de importação principalmente os setores siderúrgicos, aço e também minerais de terras raras. A Usiminas, diz ele, exportava cerca de 15% da sua produção para os Estados Unidos e quando o Trump aplicou a tarifa de 50% sobre o aço, isso fez com que houvesse um “excesso de aço no mundo”, o que fez o preço do insumo cair.
Para além disso, Conde argumenta que o resultado da empresa “foi mal entendido” após a divulgação porque o prejuízo veio de um cálculo de quanto que os ativos estavam valendo em um dado cenário. “Não foi esse resultado tão ruim. Além disso, a empresa também aumentou o ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dela ajustado e um outro ponto que passou desapercebido é que ela reduziu o endividamento líquido, o que também justifica a alta de hoje”, diz.
Além da perspectiva de derrubada das barreiras tarifárias, também há uma expectativa mais otimista em relação às negociações dos Estados Unidos com a China, o que gera um alívio global no mercado de commodities, como o de aço, aponta Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, ponderando que, por ser um papel “barato”, na casa dos R$ 5, “o percentual sempre assusta na movimentação”. Não à toa, o Ibovespa renova o recorde com o otimismo impulsionado por esses acordos.
Segundo Sant’Anna, soma-se à isso a queda da última sexta em que hoje há uma retomada dos investidores que conseguiram comprar a preços mais baixos.