Uma operação especial foi montada a partir de 14 de setembro para desencalhar o graneleiro Shandong Xin Ze, de bandeira das Ilhas Marshall, na Oceania, que encalhou na entrada do canal de acesso do Porto de Santos carregado com 76 mil toneladas de fertilizantes. A ação envolveu equipes da Capitania dos Portos, da Autoridade Portuária de Santos (APS), da praticagem e da empresa especializada em salvatagem AWS Service.
Carlos Boignon, especialista em gestão marítima da AWS e que participou da operação de desencalhe, explicou que o navio encalhou depois de se desviar da rota e ir para uma área mais rasa na entrada do canal. Segundo Boignon, a Marinha está analisando a embarcação, que foi lançada este ano e estava em sua primeira viagem com carga, para apurar se houve falha técnica ou erro da tripulação.
Ele contou à Portos e Navios que a primeira ação foi a retirada do navio do local onde estava encalhado para evitar que atrapalhasse a entrada no canal e a movimentação portuária. Puxado por cinco rebocadores, o graneleiro foi levado, no dia 17 de setembro, para fora do canal para uma área com profundidade suficiente, já que, carregado, o barco estava com calado de 14,2 metros.
No local, ele passou por inspeções, incluindo a de equipes de mergulhadores, que constataram que o tanque de lastro e o leme haviam sido avariados ao tocar o fundo do canal. Foram feitos, então, reparos emergenciais para que a embarcação pudesse ser levada até o porto e ter a carga descarregada. “Foi feito um plano detalhado para levar o navio em segurança até o atracadouro. Ele foi puxado pelos rebocadores com velocidade reduzida e aproveitando a maré”, explicou Boignon.
O Shandong Xin Ze foi atracado no dia 24 de setembro, 10 dias após o encalhe e teve toda a carga de fertilizantes descarregada. Em seguida, ele foi rebocado para o fundeadouro nº 6, fora do canal de acesso, onde, seguindo a Administração Portuária de Santos (APS) ficará até que seja aprovado pela Capitania dos Portos de São Paulo novo plano de reboque para que seja levado aonde possa passar pelos reparos para seguir viagem.
A APS explicou à reportagem que o local em que a embarcação está fundeada é reservada exclusivamente para navios que sofrem avarias, não afetando a entrada e saída do canal de acesso e nem as operações portuárias. De acordo com a autoridade portuária, o impacto sobre a movimentação no porto foi limitado ao período de interdição do canal por causa do encalhe, das 18h e às 21h do dia 14 de setembro.