Gerdau vê avanço do governo sobre aço importado

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A Gerdau avalia que o setor siderúrgico tem avançado em negociações com o governo federal na busca de uma solução para o que considera uma concorrência desleal na entrada de aço importado no mercado nacional. Segundo o diretor-financeiro da empresa, Rafael Japur, os diálogos com as autoridades têm sido construtivos e indicam um movimento para enfrentar o problema ainda este ano.

Ele destaca que há sensibilidade em diferentes frentes da administração, como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e o Ministério da Fazenda, em relação à pressão da indústria nacional por medidas de defesa comercial. Segundo ele, os diálogos com o governo federal têm sido produtivos e o setor vê uma tentativa das autoridades em encaminhar uma solução.

“As investigações de pleitos antidumping que estão colocadas por parte da indústria nacional têm avançado”, disse, em entrevista para tratar dos resultados do terceiro trimestre, em que a empresa reportou um lucro líquido de R$ 1,09 bilhão, queda de 23,9% em relação ao mesmo período de 2024. A receita líquida subiu 3,5% no período, a R$ 17,98 bilhões, e o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 9,2%, para R$ 2,74 bilhões.

Japur observa que o momento econômico é positivo, com crescimento do PIB e aumento do consumo de aço, mas que o setor siderúrgico brasileiro não tem conseguido se beneficiar desse cenário.

“Não temos problemas de demanda de aço no Brasil. Temos bons níveis de atividade econômica e de vendas. A grande questão é que saímos de 10% de importações para um patamar mais alto. Uma em cada quatro toneladas de aço consumidas no Brasil veio de fora”.

O governo brasileiro tenta equilibrar interesses divergentes. De um lado, atendeu parcialmente às demandas das siderúrgicas ao prorrogar até maio de 2026 o sistema de cotas de importação, com tarifa de 25% sobre o aço que ultrapassar os limites estabelecidos. A medida também ampliou de 19 para 23 o número de produtos abrangidos. O Brasil abriu ainda a maior investigação antidumping da história, envolvendo 25 itens importados da China.

Mas o endurecimento tem freios políticos. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, comprando grandes volumes de commodities, além de compartilhar espaços estratégicos no grupo dos Brics. Uma ação mais dura contra o aço chinês poderia provocar retaliações.

O país asiático já reagiu. Recentemente, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, rebateu as críticas de que o país estaria inundando o mercado com produtos subsidiados e provocando a desindustrialização no Brasil. Em resposta, ele desafiou a indústria nacional a “sair da zona de conforto” e buscar maior eficiência.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos – um dos principais destinos do aço brasileiro – têm prejudicado o balanço das empresas, já que o presidente Donald Trump impôs tarifas sobre o produto, o que obriga o governo brasileiro a calibrar seus movimentos diplomáticos e econômicos.

Japur lembra que a Gerdau tem operações na América do Norte, que se mantiveram com bom nível de demanda e registraram o maior Ebitda ajustado trimestral em dois anos. “Na América do Norte, temos uma defesa comercial mais robusta, redução dos níveis de importação e margens próximas a 20%”.

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