Leilões de rodovias deste ano já somam R$ 60 bi em obras

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Com mais dois leilões de rodovias realizados nesta semana, o setor alcançou cerca de R$ 60,2 bilhões de investimentos contratados em 2025, em 13 licitações federais e estaduais. Se somadas também as obras que foram destravadas por meio da repactuação de concessões problemáticas, outros R$ 16,5 bilhões foram gerados neste ano.

O valor ainda deverá subir até dezembro. Na próxima semana, há mais um leilão agendado, da Rota Sertaneja, que prevê R$ 5,3 bilhões no corredor entre Goiás e Minas Gerais. A expectativa é de concorrência pelo projeto.

Além disso, outros dois processos competitivos estão marcados, ambos de concessões da Arteris que passam por uma repactuação: a Autopista Fluminense, que deverá ir a mercado em novembro; e a Fernão Dias, em dezembro. Os contratos foram renegociados, junto ao governo e o Tribunal de Contas da União (TCU), e agora serão oferecidos ao mercado. Os contratos deverão gerar outros R$ 15,5 bilhões em obras.

No caso da Autopista Fluminense, não há expectativa de interessados, porém, na Fernão Dias, o governo prevê que a Arteris terá que competir com outros grupos para manter o contrato.

Só em outubro, os leilões de rodovias somaram R$ 20 bilhões de obras contratadas. Após a licitação do Lote 4 do Paraná, conquistado na semana passada pela EPR, nesta quinta-feira (30) outros dois ativos foram leiloados. O Lote 5 do Paraná, com R$ 6,7 bilhões de investimento, foi arrematado pelo Pátria, que superou a proposta da Way Concessões. Já o Lote 6 do Mato Grosso, que demandará R$ 2,7 bilhões, ficou com o Consórcio da Terracom Concessões, que venceu a CS Infra na disputa.

“Acho que o nível de competição vai se manter elevado nos próximos leilões”

— Ewerton Henriques

A onda de leilões rodoviários deverá seguir em 2026, segundo o ministro de Transportes, Renan Filho (MDB-AL). “Em 2026, faremos 14 leilões”, disse, contabilizando tanto novos contratos quanto concessões repactuadas.

Na carteira federal do próximo ano, os projetos mais avançados até o momento são: a Rota dos Sertões, entre Bahia e Pernambuco; a Rota das Gerais, em Minas Gerais; a Rota Agro Central, entre Mato Grosso e Rondônia; e a Rota Integração Sul, de trechos no Rio Grande do Sul. Apenas nesses quatro contratos, estão programadas obras com orçamento estimado em R$ 22,6 bilhões.

Nos Estados, a agenda também deverá seguir ativa. O governo de São Paulo já marcou para o dia 27 de fevereiro de 2026 a licitação da Rota Mogiana, um projeto de R$ 8,9 bilhões de obras, e prevê outras iniciativas rodoviárias no próximo ano.

Outros governos estaduais também planejam viabilizar leilões ainda no atual mandato. O Mato Grosso, que neste ano licitou cinco lotes de rodovias – o último deles, na quinta-feira (30) -, estuda apresentar mais 2,5 mil km de concessões em 2026, afirmou o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira e Silva. Segundo ele, até meados de 2026 os estudos das novas concessões devem ser concluídos para que os processos licitatórios tenham início.

“São leilões nos quais os investimentos serão menores, mas nos quais vamos dar a oportunidade das empresas cuidarem satisfatoriamente das estradas. Não são artérias principais, são secundárias, mas para deixar essas estradas sem buracos, sem mato invadindo a pista, com acostamento regularizado”, afirmou.

Do lado do setor privado, há sinalizações de que o interesse pelas rodovias continua. Após a vitória no leilão do Lote 5, Thiago Bronzi, sócio do Pátria, disse que o grupo deverá seguir ativo na análise dos projetos novos.

O mesmo foi sinalizado pela EPR, após o leilão do Lote 4, e pela Motiva (ex-CCR), que divulgou seus resultados do terceiro trimestre nesta semana. Em teleconferência realizada na quinta-feira (30), o presidente da empresa, Miguel Setas, afirmou que “é quase uma certeza que a companhia se apresentará na relicitação” da Renovias. A concessão paulista, na qual a empresa é acionista, chegará ao fim e passará por novo leilão. Parte dos trechos foram incorporados à Rota Mogiana. “É um ativo interessante e estratégico, programado para fevereiro”, disse o executivo.

“Acho que o nível de competição vai se manter elevado nos leilões. Alguns atores que estudaram o mercado ainda não entraram. E grupos mais consolidados que perderam espaço devem tentar se recuperar para disputar”, afirmou Ewerton Henriques, sócio da SH Consultoria.

No mercado, a avaliação é que os leilões deverão se concentrar até a metade de 2026, devido ao calendário eleitoral do próximo ano. Porém, não há uma expectativa de que os leilões deixem de ser realizados. “O modelo avançou nos últimos anos. Talvez as características dentro de alguns anos mudem, os projetos podem ser menores, porque as principais rodovias vão sendo concessionadas. Mas não acho que o ‘pipeline’ vai acabar”, afirmou Bronzi.

Para Henriques, a carteira federal talvez perca força nos próximos anos, mas ainda há diversos ativos nos Estados a serem leiloados.

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