Terras raras: do que tratou o encarregado dos EUA com mineradoras no Brasil?

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A Exposibram, feira do setor de mineração realizada em Salvador (BA) neste ano, chegou ao fim na quinta-feira (30). Para o encarregado de negócios dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, o saldo do evento foram discussões sobre financiamento e formas de cooperação com empresas que detêm projetos de mineração de terras raras no país, além da proposta de criação de um grupo de trabalho com o setor privado para canalizar investimentos americanos em projetos de minerais críticos no Brasil.

A informação de que Escobar se reuniria com representantes dessas mineradoras durante a feira foi divulgada primeiro pela CNN e confirmada posteriormente pelo Valor.

Já o plano de constituir um grupo de trabalho, proposto pela embaixada americana, com o setor privado foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Em nota, a entidade chama a articulação, apresentada no encontro com Escobar, de “inédita”. Ela envolveria governos brasileiro e americano, além da indústria da mineração brasileira. A participação do governo do Brasil no arranjo ainda será tratada diretamente entre a embaixada americana e o Ibram com as autoridades brasileiras.

“Enquanto isso, o Ibram irá prospectar, junto às mineradoras associadas, oportunidades de investimento na produção mineral que poderão contar com eventuais aportes de capital dos EUA, via instituições de fomento”, afirma o instituto.

Entre as mineradoras que se encontraram com o diplomata no evento está a australiana St George Mining, dona do projeto Araxá de nióbio e terras raras, em Minas Gerais. Em comunicado ao mercado na quinta-feira (30), após a reunião com Escobar, o presidente da empresa, John Prineas, disse que a St George mantém contato com agências governamentais dos EUA, para “potencialmente acessar o lucrativo setor de processamento e refino de terras raras que é apoiado pelo governo”.

“Além de contribuir para as cadeias de abastecimento domésticas no Brasil, nosso projeto Araxá está bem posicionado para apoiar novas cadeias de abastecimento resilientes, buscadas pelos EUA e pela UE”, disse Prineas.

O projeto da St George fica em Minas Gerais, perto da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), principal fornecedora global de produtos de nióbio, controlada pela família Moreira Salles. Mantém também uma aliança com a REalloys, processadora americana de terras raras e uma das principais fornecedoras de materiais magnéticos para os setores industrial e de Defesa dos Estados Unidos.

Ao Valor, fonte a par do assunto que participou de um dos encontros relatou sob reserva que Escobar disse que a relação bilateral entre Brasil e EUA caminha para a normalização e que os dois países atuarão em várias frentes comerciais, incluindo a de minerais críticos. A mesma fonte disse que o diplomata destacou que o acesso a fontes alternativas de financiamento para projetos de minerais críticos será um tema a ser explorado.

Outra fonte disse também à reportagem ter sido convidada para nova reunião com Escobar, que ainda não tinha acontecido.

O esforço americano reforça a percepção de que a reserva brasileira de terras raras, segunda maior do mundo, pode estar sendo vista pelo Ocidente como aposta alternativa à China, que hoje domina hoje quase toda a cadeia global do grupo de elementos. Contudo, se haverá de fato alteração desse cenário no longo prazo — hoje, o Brasil tem participação ainda incipiente na produção global e apenas uma mina de terras raras em operação comercial —, só o tempo será capaz de mostrar.

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