Acordo Brasil-EUA sobre tarifas pode beneficiar clientes e elevar compra de aço, diz CEO da Gerdau

Um possível acordo comercial entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas comerciais é visto como benéfico pelo diretor-presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, e com potencial para beneficiar alguns de seus clientes locais que exportam produtos para o mercado norte-americano.

Durante teleconferência com jornalistas, nesta sexta-feira, 31, o executivo explicou que o benefício não é direto para a empresa, que já tem uma operação nos Estados Unidos. Segundo ele, além do impacto econômico para o País, o acordo pode levar a uma maior compra de aço por clientes que vendem produtos no exterior, especialmente máquinas e equipamentos.

“Se o mercado se tornar um pouco mais adequado para que esses clientes exportem, isso possibilitaria que a Gerdau vendesse mais aço para eles aqui no Brasil.” Werneck também afirmou que outro benefício seria a normalização de relações entre os dois países.

Protecionismo de Trump

Werneck atribuiu resultado mais forte nos Estados Unidos no terceiro trimestre deste ano à política protecionista do presidente Donald Trump.

Segundo ele, o governo dos EUA tem adotado medidas robustas para reduzir a entrada desleal de aço importado, o que tem impactado positivamente os negócios da empresa naquele país.

De julho a setembro, a operação norte-americana da Gerdau teve uma participação de 65% no Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, da sigla em inglês) do período. No segundo trimestre, esse indicador já havia sido de 61%.

“Está totalmente relacionado a isso, e não é só de agora, desde a primeira administração Trump”, disse.

Werneck afirmou, ainda, que nos Estados Unidos há uma demanda “muito forte” por aço e que ela deve continuar existindo nos próximos anos.

O diretor-presidente da Gerdau disse ainda que uma das frentes possíveis de demanda é a construção de data centers para sustentar a transformação digital. “A quantidade de data centers que serão construídos nos Estados Unidos corresponde a 800 campos de futebol”, afirmou.

Aço importado

O diretor-presidente da Gerdau disse que o nível de importação de aço no Brasil está em 25% aproximadamente, nível considerado insustentável para a indústria nacional, e defendeu a adoção pelo governo de medidas mais restritivas à entrada desses produtos no mercado interno.

Segundo ele, já existem discussões com o governo para a adoção de medidas mais robustas para dar competitividade para o produto brasileiro, para equilibrar melhor a concorrência. Ele afirmou que o principal concorrente do aço nacional é o importado, principalmente da China. “As medidas existentes não têm sido eficazes e está entrando um grande volume”, afirmou.

Werneck disse, ainda, que em vista desse cenário as conversas com o governo aceleraram nas últimas semanas, e que existe uma sensibilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à situação da indústria siderúrgica nacional. Ele ainda mencionou que o cenário para 2026 é incerto, mas que as demandas do setor têm sido bem recebidas pelo governo, e que uma medida pode ser adotada nos próximos meses.

“O governo entendeu que é impossível a indústria de aço sobreviver se continuar desse jeito, eles entenderam que não tem fôlego mais para setor trabalhar no vermelho”, disse.

Minério sustentável

A Gerdau está se preparando para produzir minério sustentável em Miguel Burnier, em Minas Gerais, e o projeto já tem 90% de avanço físico, disse Werneck.

Durante a teleconferência, ele afirmou que alguns equipamentos do complexo já iniciaram o comissionamento e testes a quente, e que o início da operação integrada do projeto está previsto para ocorrer no início de 2026.

Ele também afirmou que o projeto fica perto de Ouro Preto, e que será usado um mineroduto até a usina de Ouro Branco. Esta solução deve retirar 400 caminhões por dia da estrada, o que na visão do executivo é um exemplo da preocupação da empresa com a sustentabilidade, reduzindo emissões de CO₂ e dificuldades para os usuários das rodovias.

Quanto aos planos futuros de comercialização, Werneck destacou que o projeto visa primordialmente atender a demanda da usina de Ouro Branco, mas que há uma capacidade produtiva um pouco acima do que o empreendimento exige, o que abre espaço para comercialização a terceiros. “A empresa terá um pouco mais de minério para poder vender e comercializar. Este minério é de “altíssima qualidade”, enriquecido a 65% de ferro.”

Apesar disso, a estratégia de venda no mercado é limitada e a empresa não tem planos de se tornar uma grande mineradora e competir com outros grandes players desse mercado, como a Vale.

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