
O diretor-presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, confirmou, nesta sexta-feira (31), os planos da empresa para a mineração. O projeto, segundo ele, é colocar em operação uma plataforma de mineração sustentável no distrito de Miguel Burnier, Ouro Preto (MG).
“Historicamente, o foco tem sido a produção de minério para consumo próprio, mas agora avançamos com planos de comercializar excedentes”, disse Werneck, em coletiva de imprensa após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025, na noite anterior.
A projeção é que, a partir do próximo ano, a capacidade produtiva do novo projeto resulte em um excedente de cerca de 2 milhões de toneladas de minério de ferro “de alta qualidade” para venda.
Werneck reiterou que os negócios de mineração têm sido “muito importantes” para a Gerdau por mais de duas décadas, especialmente para garantir a competitividade da usina de Ouro Branco.
Entrada no mercado de forma “criteriosa e calma”
Mas o diretor-presidente ressaltou o escopo limitado do plano. “Não temos planos de virar um grande minerador. Competir com outras grandes mineradoras brasileiras como a Vale está longe do nosso plano”, disse. O objetivo, segundo ele, é aproveitar a alta qualidade dos ativos minerais e introduzir volume no mercado de forma “criteriosa e calma”.
O executivo enfatizou ainda que a empresa não tem planos de produzir minério se não for por meio de projetos “muito sustentáveis e robustos”, do ponto de vista técnico e tecnológico.
Segundo Werneck, a escolha e o desenvolvimento deste ativo seguem um “rigoroso compromisso”. Um exemplo dessa prioridade é o uso de um mineroduto para o transporte do minério até Ouro Branco, o que removerá 400 caminhões por dia da estrada.
Direitos minerários em MG
Gustavo Werneck, afirmou ainda, na teleconferência, que o direito minerário de Miguel Burnier, em Minas Gerais, é apenas um entre os vários ativos minerais da companhia no Estado. Segundo ele, trata-se de um ativo de alta qualidade e grande volume, com potencial de exploração por mais de 40 anos.
“A quantidade de minério nesse ativo específico é muito grande, e ainda temos a possibilidade, no futuro, de lavrar mais minério”, afirmou o executivo durante teleconferência com analistas.
Ele acrescentou que a Gerdau detém outros direitos minerários relevantes no Estado, o que dá flexibilidade para ampliar a produção sem necessidade de novos investimentos de capital. “Se entendermos que isso é uma oportunidade, nós não dependeríamos de desembolso de ‘capex’ para comprar direitos minerários”, disse.
O projeto de mineração de Miguel Burnier já atingiu 90% de progresso físico e deve iniciar sua operação integrada no início de 2026, segundo o presidente.
De acordo com o diretor financeiro, Rafael Japur, o projeto deve gerar ganhos crescentes de eficiência a partir do início da operação. A expectativa é de redução de R$ 400 milhões em custos já no primeiro ano e de até R$ 1,1 bilhão anuais a partir de 2027, considerando o preço do minério em torno de US$ 100 por tonelada.
Esses resultados, afirmou Japur, reforçam o posicionamento da Gerdau como uma produtora de aço integrada e com base sólida em recursos próprios.