
O mercado de caminhões encerrou outubro com um novo sinal de recuperação. Pela segunda vez consecutiva, as vendas superaram o mês anterior, com alta de 9% em relação a setembro. Foram emplacadas 10,4 mil unidades, ante 9,6 mil no mês anterior, de acordo com balanço da Fenabrave, entidade que representa as concessionárias de veículos.
O resultado confirma a tendência de leve reaquecimento iniciada em setembro, quando já havia sido registrada elevação de 8,7% sobre agosto. Embora os números ainda estejam abaixo dos observados um ano atrás — queda de 11,6% em relação a outubro de 2024, quando foram comercializados 11,8 mil caminhões —, o movimento indica que o setor começa a se adaptar a um cenário de maior estabilidade e a encontrar novas oportunidades de demanda.
No acumulado de janeiro a outubro, foram licenciados 92,3 mil caminhões, volume 8% inferior ao do mesmo período do ano passado, quando o total chegou a 100,3 mil unidades. Ainda assim, os resultados recentes trazem certo alívio ao segmento, que vinha enfrentando meses de retração mais acentuada.
Para o presidente da Fenabrave, Arcélio Júnior, o mercado de caminhões reflete a complexidade da economia real. “Os negócios estão condicionados a uma dinâmica de investimentos mais cautelosa, dada a volatilidade de setores como o agronegócio, a construção civil e a indústria. Mas os dois últimos meses positivos podem amenizar a expectativa de queda e pavimentar o caminho para uma recuperação mais consistente”, avaliou.
Em julho, a Fenabrave havia revisado suas projeções para 2025, reduzindo a estimativa de crescimento de 4,5% — equivalente a 127,6 mil unidades — para uma leve retração de 7%, totalizando 113,5 mil caminhões emplacados. Agora, com o desempenho recente, o setor começa a enxergar a possibilidade de encerrar o ano em um nível mais próximo da estabilidade, caso o ritmo atual se mantenha.
Ônibus mantêm ritmo com apoio do Caminho da Escola
O segmento de ônibus também apresentou desempenho positivo em outubro, acompanhando o movimento de recuperação parcial do mercado de pesados. Foram emplacadas 2,4 mil unidades, aumento de 4,4% em relação a setembro. Apesar da alta, o número ainda é 23% inferior ao de outubro de 2024, quando as vendas chegaram a 3,1 mil veículos.
No acumulado de dez meses, o resultado é mais animador: 23,6 mil ônibus vendidos, crescimento de 3,9% sobre igual período do ano anterior. Segundo a Fenabrave, o programa federal Caminho da Escola tem sido o principal motor de sustentação das vendas, mas o volume de pedidos começa a se esgotar, o que pode desacelerar o ritmo no fim do ano.
Arcélio Júnior observa que o segmento vem apresentando uma redução gradual no crescimento, reflexo também da menor demanda por parte de empresas de transporte e turismo. Ainda assim, ele acredita em uma recuperação moderada até o fechamento do ano. “Ainda é possível alcançarmos uma elevação de até 6%, conforme o projetado, desde que o ambiente econômico mantenha certa previsibilidade”, afirmou.
Expectativa de retomada gradual
Mesmo em um cenário de incertezas, os dados de outubro trouxeram ânimo para o setor automotivo pesado. O avanço das vendas, ainda que tímido, reflete uma combinação de fatores: melhora na confiança dos transportadores, expectativa de aumento nas safras agrícolas e retomada de obras de infraestrutura.
Especialistas avaliam que a consolidação de dois meses seguidos de alta pode marcar o início de um novo ciclo de estabilização. Embora os números do ano ainda apontem retração, a percepção entre concessionárias e fabricantes é de que o pior momento já passou. Se mantido o ritmo atual, o mercado pode encerrar 2025 com resultados mais equilibrados e perspectivas de crescimento moderado, sustentado pela gradual recuperação dos setores ligados ao transporte de carga e passageiros.