
O Brasil está emergindo como um polo promissor para o desenvolvimento de terras raras fora da China e possui um portfólio crescente de projetos avançados, posicionando o país como um potencial fornecedor de terras raras hospedadas em argila iônica para os mercados ocidentais.
Este é um dos destaques do relatório especial do Banco Safrasobre nos minerais de terras raras (MTR), que se tornaram insumos essenciais para a infraestrutura da inteligência artificial.
Na sexta-feira, dia 14 de novembro, o Safra Artificial Intelligence Investment Day, encontro exclusivo para clientes do Banco Safra, vai reunir alguns dos maiores especialistas do mundo para debater o impacto da inteligência artificial sobre negócios, investimentos e o futuro do trabalho.
Com a crescente demanda por IA, a procura pelos materiais necessários para construir sua infraestrutura está aumentando rapidamente. Assim, os especialistas do Banco Safra acreditamos que o tema é importante demais para ser ignorado, apesar das opções ainda limitadas de investimento e das informações fragmentadas sobre o assunto.
Importância das terras raras para IA
Os materiais de terras raras referem-se a um grupo de elementos metálicos conhecidos por suas excepcionais propriedades magnéticas, ópticas e eletroquímicas. Sua ocorrência é dispersa, o que torna difícil sua separação e seu refino.
Em 1991, a China classificou os minerais de terras raras como recursos estratégicos e restringiu a participação estrangeira na exploração e mineração. Nos anos 1990 e 2000, investiu em separação, refino e fabricação de ímãs para construir um sistema totalmente integrado, da mina ao ímã. O resultado é que o país detém cerca de 44 mi de ton de reservas de óxidos de terras raras, quase metade do total global, e controla cerca de 60% da capacidade de mineração e mais de 85% da capacidade de refino.
Essa combinação de profundidade de recursos e escala de processamento confere a Pequim influência desproporcional sobre preços, fluxos de exportação e condições globais de oferta.
Brasil tem a segunda maior reserva, mas mineração é menos desenvolvida
O Brasil é o segundo maior detentor de recursos, mas tem uma base de mineração menos desenvolvida. Como explorar a cadeia de suprimentos de terras raras?
A cadeia de suprimentos de MTR é complexa. O refino e a fabricação de ímãs são os principais gargalos, e empresas têm presença diversificada na cadeia.
Novos projetos fora da China enfrentam desafios como falta de conhecimento especializado, equipamentos, financiamento e compradores (contratos de fornecimento e preços mínimos).
O Banco Safra analisou as mineradoras com base nas 10 métricas de investimento mais importantes e classificou a Lynas Rare Earths (LYC:ASX; não avaliada) como a potencial vencedora relativa.
Principais desenvolvedores de terras raras no Brasil
O Brasil emerge como um polo promissor para o desenvolvimento de terras raras fora da China/Austrália, com um portfólio de projetos avançados que posiciona o país como um potencial fornecedor de terras raras hospedadas em argila iônica para os mercados ocidentais.
As principais empresas desenvolvedoras – Viridis Mining (VMM), Meteoric Resources (MEI), Aclara Resources (ARA), Brazilian Rare Earths (BRE) e Serra Verde (empresa privada) – encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento que vão desde estudos de viabilidade iniciais até a prontidão operacional.
Tanto a VMM quanto a MEI estão próximas de receber a concessão de suas licenças preliminares (previstas para o fim de novembro de 2025), abrindo caminho para a construção de seus projetos em argilas iônicas em Minas Gerais.
A Aclara está avançando com seu portfólio chileno-brasileiro rumo ao estudo de préviabilidade (PFS) até o quarto trimestre de 2025, enquanto a BRE espera concluir seu próprio estudo de viabilidade definitivo (DFS) até o segundo trimestre de 2026.
A Serra Verde, que já está em produção em Goiás, fornece um parâmMTRo de curto prazo para o desempenho operacional e a dinâmica de escoamento na região.
Os teores dos recursos variam amplamente – de aproximadamente 1.600 ppm de TREO na Aclara até mais de 2.500 ppm na Meteoric –, mas a natureza argilosa iônica da maioria dos depósitos permite a extração de baixo custo e próxima à superfície.
Os principais catalisadores do setor nos próximos trimestres incluem a aprovação de licenças e o comissionamento de plantas-piloto. A VMM e a MEI visam a produção em escala de demonstração no fim de 2025.
Coletivamente, esses projetos ressaltam o papel crucial que o Brasil pode desempenhar na cadeia de suprimentos de terras raras fora da China, favorecido por uma geologia favorável, maior visibilidade regulatória e crescente interesse estratégico de fabricantes de equipamentos originais (OEMs) ocidentais que buscam fontes diversificadas e sustentáveis de NdPr.
– Confira aqui, o relatório completo com informações dos desenvolvedores brasileiros mais avançados e os próximos catalisadores, especificações de recursos e avaliações.