A Teck Resources, mineradora canadense que opera uma mina gigante de cobre no Chile e é avaliada em US$ 50 bilhões, manteve conversas intermitentes sobre uma possível combinação de negócios com a brasileira Vale antes de concordar com a fusão com a britânica Anglo American, de acordo com fontes a par do assunto ouvidas pela agência Bloomberg.
A compra da Teck pela Anglo, em seembro, foi apontada como um grande negócio, capaz de remodelar o mapa global da mineração. Em entrevista após a união de Anglo e Teck, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, admitiu que a mineradora brasileira ‘ficou para trás na corrida do cobre’.
A Teck revelou ontem que manteve conversas simultâneas com uma empresa não identificada — chamada de “Parte X” — enquanto negociava com a Anglo, de acordo com documentos enviados aos acionistas para apoiar seu acordo de US$ 40 bilhões com a gigante mineradora sediada em Londres.
A pretendente não identificada era a Vale, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas por se tratar de informação confidencial. A Teck e a Vale se recusaram a comentar.
O portfólio de ativos de cobre da Teck é cobiçado há muito tempo pelas principais mineradoras do mundo por causa de seu principal ativo: a gigantesca mina de cobre Quebrada Blanca, que opera no Chile. A reserva é vizinha de Collahuasi, uma das maiores minas de cobre do mundo, pertencente à Anglo e à Glencore.
O jornal The Globe and Mail havia noticiado anteriormente que a Vale Base Metals, subsidiária da brasileira sediada no Canadá, manteve conversas com a Teck. A Bloomberg também noticiou no ano passado que a Vale Base Metals tinha estudado um possível acordo com a Teck.
As negociações da Teck com a “Parte X” começaram em maio de 2023, mas foram repetidamente interrompidas por uma série de motivos, incluindo divergências sobre a avaliação e “considerações de governança”, de acordo com o documento apresentado em 10 de novembro.
As conversas foram interrompidas em maio passado e não prosseguiram, enquanto a Teck continuou as negociações com a Anglo. As duas empresas anunciaram um transação em setembro, para reunir um conjunto de minas de minério de cobre, zinco e ferro em uma gigante produtora de metais.
A Teck e a Anglo marcaram para o dia 9 de dezembro assembleias nas quais seus acionistas votarão pela aprovação ou não da fusão entre as duas companhias.
Setor passar por consolidação global
Nos últimos dois anos, as principais empresas de mineração do mundo têm estado em ritmo acelerado de negociações, com a BHP Group em uma tentativa, sem sucesso, de adquirir da Anglo em 2024 e Rio Tinto mantendo negociações para a compra da Glencore.
As negociações da Teck com a Anglo e a Vale começaram pouco depois de a empresa ter rejeitado uma oferta não solicitada de US$ 23 bilhões da Glencore.