Empresa revela concreto que se reconstitui sozinho e abre nova era na construção civil

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Publicado na revista Science Advances, um estudo conduzido pela Universidade Técnica de Delft (Países Baixos) apresenta os chamados materiais vivos programáveis (Engineered Living Materials — ELMs), um novo tipo de biomaterial que pode, no futuro, substituir plásticos e até concreto em determinadas aplicações.

A inovação utiliza esporos bacterianos, estruturas microscópicas altamente resistentes ao calor, à radiação e à falta de água, capazes de permanecer inativas por longos períodos e serem reativadas sob comando. Segundo os pesquisadores, essa tecnologia pode transformar processos industriais e o ciclo de vida de produtos — da fabricação ao descarte — com materiais capazes de se autorreparar, se adaptar ao ambiente e usar recursos de forma mais eficiente.

Concreto que se reconstrói

Os pesquisadores combinaram duas espécies de bactérias com funções complementares: Komagataeibacter rhaeticus, produtora de celulose bacteriana — um polímero leve, resistente e biodegradável —, e Bacillus subtilis, capaz de formar esporos extremamente duráveis, que entram em dormência e “despertam” quando ativados.

A integração dessas bactérias resultou em um material resistente e funcional que mantém suas propriedades por meses, podendo detectar substâncias, degradar poluentes ou reparar microfissuras graças à ativação dos esporos sob comando.

Segundo os cientistas, o biomaterial pode “acordar” apenas quando necessário, o que o torna ideal para aplicações como embalagens inteligentes, superfícies autorreparáveis e alternativas sustentáveis a materiais de alto impacto ambiental, como plásticos e concreto.

Metas e usos

A pesquisa integra o projeto europeu NextSkins, financiado pela União Europeia, que busca criar materiais vivos capazes de se autorregenerar, adaptar-se ao ambiente e consumir menos recursos. A meta é substituir gradualmente materiais não renováveis por sistemas biológicos que possam ser reutilizados ou se decompor naturalmente, reduzindo resíduos e emissões.

Para os cientistas, essa tecnologia inaugura uma nova etapa na área de materiais: estruturas com comportamento quase biológico, capazes de responder a estímulos e executar funções específicas, com potencial de aplicação na construção civil, na medicina, no design de produtos e em infraestrutura urbana.

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