Investimentos em curso, foco em demandas e melhorias no desempenho. Executivos da Usiminas e de sua controladora Ternium apostam no Brasil e na América Latina, mesmo diante da concorrência chinesa no setor de aço. “Nós somos competitivos, estamos lutando pela melhoria dos nossos processos industriais, do nosso desempenho, e estamos conseguindo. O problema é a concorrência com a China”, disse Marcelo Chara, presidente da Usiminas.
Segundo ele, o país asiático subsidia todos os processos e possui uma política clara e agressiva de ocupação de espaços de industrialização no planeta inteiro. Mesmo assim, segundo ele, a Usiminas continua acreditando, com investimentos estruturais definidos, aprovados e lançados.
A Usiminas anunciou em julho um investimento de R$ 1,7 bilhão na modernização e reconstrução da bateria 4 da Coqueria 2 da usina de Ipatinga, em Minas Gerais. O investimento será realizado ao longo de quatro anos, com a entrada da bateria em operação prevista para 2029. O objetivo é aumentar a produção de coque e gás de coqueria e reduzir a necessidade de compra de coque de terceiros.
“Agora, para um tipo de investimento adicional, temos condições, mas não dá para prever sem a defesa comercial do Brasil. Temos capacidade ociosa. Precisamos de defesa comercial, assim como as maiores economias do mundo fazem quando se sentem ameaçadas pela China”, completa.
Máximo Vedoya, CEO da Ternium, disse que alguns países estão reagindo mais rapidamente contra a concorrência desleal da China, mas o Brasil já percebeu que tem que proteger sua indústria. “Temos a visão de que existem oportunidades para continuar crescendo no país. Precisamos de uma indústria mais forte e sólida. Temos que começar a analisar como podemos, de alguma forma, deter os mercados predatórios chineses aqui”, disse.
Os executivos participam, em Cartagena, Colômbia, do Alacero Summit 2025, maior evento do setor siderúrgico na América Latina. Durante os dois dias do encontro, entre 11 e 12 de novembro, representantes do setor de aço e especialistas criticaram e solicitaram esforços contra a concorrência da China.