A Petrobras anunciou, em agosto, o início do processo de contratação para a montagem da sua primeira planta dedicada à produção de diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF) na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), localizada em Cubatão, no litoral de São Paulo.
Com previsão de processar cerca de 950 mil toneladas por ano de matérias-primas como óleo vegetal e gordura animal, a nova planta terá capacidade para produzir até 16 mil barris por dia de biocombustíveis hidrotratados, o equivalente a 672 mil galões por dia. Essa produção pretende atender tanto o setor rodoviário quanto o de aviação civil, ambos altamente impactados pelas metas de descarbonização.
A construção será realizada em cinco pacotes de contratação, sendo o primeiro já em licitação, voltado à instalação da unidade de pré-tratamento, responsável pela remoção de impurezas dos insumos antes da conversão em SAF e diesel renovável. A planta contará com tanques para armazenar derivados e insumos como óleo de soja e sebo bovino, oriundos majoritariamente das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil, promovendo integração com a cadeia agroindustrial e logística nacional.
A expectativa é de que os contratos com as empresas responsáveis sejam assinados no segundo semestre de 2026, com início das obras logo em seguida. Durante a fase de construção, o projeto deve gerar aproximadamente 3 mil empregos diretos. Segundo o gerente executivo de Tecnologia do Refino e Gestão de Ativos da Petrobras, Rodrigo Abramof, “nessa planta de processo, a matéria prima que está entrando é 100% renovável, seja óleo vegetal ou gordura animal, essa carga vai para essa unidade e sai do outro lado um produto que pode ser usado de duas maneiras, ou faz o SAF, para a aviação, ou faz o diesel verde, também conhecido como HVO. Essa planta é flex no produto, a Petrobras vai começar a construção e a ideia é que em 2029 ela entre em operação, e aí nós vamos ter o SAF 100% renovável e uma parte do diesel verde.
Lembrando que o diesel verde não existe no Brasil , porque não temos essa produção por aqui, mas existem poços de abastecimento no mundo, na Europa principalmente, que o caminhoneiro chega e tem o diesel, fóssil, diesel aditivado e o diesel verde para sua escolha, assim como temos a gasolina e o etanol a nossa disposição. A capacidade dessa planta vai receber 100 caminhões por dia de matéria prima renovável para gerar esse produto. Ela será construída em Cubatão, perto do Porto de Santos, terá uma localização estratégica tanto para abastecer o mercado local ou eventualmente exportação, porque estará perto da zona portuária. É o primeiro grande investimento, completamente intercambiável na refinaria, usaremos todas as sinergias”, afirma Abramof.
O executivo complementa dizendo que a iniciativa posiciona a Petrobras como líder na transição energética justa, ao entregar produtos com menor impacto ambiental, em linha com as novas demandas da sociedade e do mercado global. “Esse grande investimento Vai melhorar em mais 10% a nossa eficiência energética dentro das refinarias e isso vai colocar a Petrobras entre as melhores do mundo.
Além disso, estamos estudando outras tecnologias, ainda num processo não tão maduro, como a opção de pegar etanol, fazer um processo na refinaria e fazer só o SAF, mas esse é um processo que no mundo ainda não vemos, existem pequenas plantas, por isso estamos estudando. Se tudo der certo, em 2030, teremos a primeira grande unidade de produção de SAF a partir do etanol, que pelo o que a gente estuda do mercado é a maior do mundo, outra inovação da Petrobras”, completa.
Alinhamento com legislações e acordos globais
O projeto está em conformidade com a Lei do Combustível do Futuro, que incentiva a produção e uso de combustíveis mais limpos no Brasil. Além disso, está alinhado ao programa CORSIA da Organização de Aviação Civil Internacional (ICAO), que exige a redução e compensação de emissões de CO₂ em voos internacionais a partir de 2027. Ao avançar na produção de SAF e diesel renovável, a Petrobras reforça seu papel estratégico na matriz energética brasileira e contribui diretamente para o cumprimento de metas ambientais nacionais e internacionais.
Conheça Rodrigo Abramof
Rodrigo Abramof é engenheiro químico do Brasil. Rodrigo começou sua carreira na Petrobras em 1990 na produção de petróleo em terra. Em 1995, ele se mudou para o Rio de Janeiro como engenheiro de processos da REDUC – Refinaria Duque de Caxias, onde trabalhou como gerente de operações e otimização de processos. Em 2010, ele foi transferido para a sede como gerente de otimização e planejamento de refino. Em 2015, Rodrigo foi para os EUA e depois para a Refinaria do Paraná no Brasil. Atualmente, Rodrigo é gerente executivo de refino.