
Uma parceria internacional vai acelerar a descarbonização das indústrias de aço e cimento no Brasil. O anúncio aconteceu nesta quinta-feira (13), às 10h, no estande da Confederação Nacional da Indústria (CNI) na COP30, em Belém (PA).
O projeto Inovação em descarbonização profunda para as indústrias de aço e cimento do Brasil vai disponibilizar R$ 153,5 milhões (25 milhões de euros), da Iniciativa Climática Internacional (IKI), do governo federal alemão.
A agência alemã de cooperação internacional para desenvolvimento sustentável (GIZ) coordena o projeto, enquanto a operação do montante com as empresas do setor será dividida entre a própria GIZ, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido).
Além da CNI, que articulou a parceria internacional com a IKI, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) completam a lista de parceiros.
Operação do projeto
Os critérios e a forma de acesso aos recursos serão divulgados pelos operadores. A Embrapii, por exemplo, lançará uma Chamada de Projetos de Alto Impacto para estimular parcerias entre empresas e instituições de pesquisa, com foco na criação de soluções tecnológicas sustentáveis e a implantação de plantas-piloto nas indústrias siderúrgicas e cimenteiras.
As empresas deverão apresentar propostas de desenvolvimento e aplicação de tecnologias de redução de emissões de carbono em um dos dois setores industriais, que estão entre os mais intensivos em emissões.
As empresas receberão ainda apoio técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do instituto alemão Fraunhofer IPK. O SENAI – braço do Sistema Indústria para formação profissional e pesquisa, desenvolvimento e inovação – terá um centro de excelência e de competências em tecnologias de descarbonização profunda para os setores, que vai auxiliar na seleção e definição das rotas tecnológicas mais promissoras. O centro oferecerá apoio para testar tecnologias de descarbonização, avaliar a escalabilidade em ambiente industrial e formas de reduzir custos.
No painel de anúncio do projeto na COP30, o superintendente de Tecnologia e Inovação do SENAI, Roberto de Medeiros, destacou que o papel do SENAI é, em conjunto com os parceiros, desenvolver as competências com e para a indústria.
“Estamos lidando com problemas complexos, que exigem soluções complexas e completas. Temos recursos sendo disponibilizados de forma inteligente, com direcionamento estratégico que atende as necessidades de descarbonização do país. Agora temos que, com as indústrias, desenvolver o conhecimento e trabalhar com os projetos”.
Para o presidente da Embrapii, Alvaro Prata, o projeto tem o grande mérito de reunir parceiros internacionais e nacionais. “É um projeto desafiador para todos nós, porque aço e cimento são dois segmentos industriais que emitem muito carbono e são muito difíceis de serem descarbonizados. Não há dúvidas de que criar soluções para descarbonização de ambos os setores passa por pesquisas que agreguem o que existe de melhor na fronteira do conhecimento. A Embrapii faz muito bem essa interação entre o conhecimento científico e o mundo industrial”, completou.
CNI na COP30
A participação da CNI na COP30 conta com a correalização do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Social da Indústria (SESI).
Institucionalmente, a iniciativa é apoiada pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), First Abu Dhabi Bank (FAB), Sistema FIEPA, Instituto Amazônia+21, U.S. Chamber of Commerce e International Organisation of Employers (OIE).
A realização das atividades da indústria na COP30 recebe o patrocínio de Schneider Electric, JBS, Anfavea, Carbon Measures, CPFL Energia, Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Latam Airlines, MBRF, Pepsico, Suzano, Syngenta, Acelen Renováveis, Aegea, Albras Alumínio Brasileiro S.A., Ambev, Braskem, Hydro, Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Itaúsa e Vale.