A Autoridade Portuária de Santos (APS) avalia que a confirmação do acordo comercial da União Europeia com o Mercosul, envolvendo 27 países e cuja assinatura foi anunciada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin para o sábado (17), terá reflexos significativos na movimentação de portos brasileiros que operam com cargas de exportação e de importação. No caso do complexo portuário santista, há expectativa de que o movimento possa dobrar.
A estimativa é baseada no fato de o Porto de Santos ser o maior da América do Sul e na avaliação de que será prioritário para viabilizar o crescimento das trocas entre os dois blocos, cujos países, somados, têm 718 milhões de pessoas e PIB total de 22,4 trilhões de dólares. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (13), o presidente da APS, Anderson Pomini, informou que o Porto de Santos já se prepara para o aumento de demanda de serviços e citou como exemplos investimentos em obras de infraestrutura logística, entre as quais o aprofundamento do canal de navegação, a melhoria dos acessos às duas margens e o túnel Santos-Guarujá.
Pomini destacou a necessidade de agilizar a instalação do futuro Terminal de Contêineres de Santos, o Tecon Santos 10, cujo leilão para concessão por 25 anos foi previsto pelo Ministério de Portos e Aeroportos para a segunda quinzena de março. Ele citou ainda como prioridades para o terminal santista o aumento da poligonal do porto e a criação de condomínios logísticos para caminhões.
Segundo o presidente da autoridade portuária, são esperados aumentos de movimentação de cargas do agronegócio, do setor de máquinas e de veículos e de outros e de empresas, como a Embraer, que ampliarão os seus negócios com os países da União Europeia por causa da redução recíproca de tarifas de importação. Entre os segmentos que podem se beneficiar do acordo, ele citou o de carnes, bovina, suína e de aves, que terão cotas preferenciais e tarifas menores e o de frutas frescas, como abacate, melão e uva, que ficarão isento de taxas em até sete anos.
Além desses, serão beneficiados com redução de tarifas o café verde e o solúvel, o etanol e o açúcar, que também terão cota preferencial. Já a eliminação de tarifas, prevê a APS, vai beneficiar produtores de suco de laranja, de peixes e crustáceos e de óleos vegetais.
De acordo com Pomini, a movimentação de cargas pelo Porto de Santos tem crescido, em média, 5% ao ano e tem agora a possibilidade de dobrar. “Temos que agir rápido para dar conta dessa nova realidade que se aproxima”, disse.
O presidente da APS prevê ainda que o acordo deve impulsionar trocas comerciais também com países fora da União Europeia: “A repercussão do acordo pode despertar o interesse de grandes países da Ásia, como a Índia, ou do Oriente Médio, por novos acordos com o Mercosul, promovendo ganhos ainda imensuráveis”, disse.