Brasil firma parceria com potência árabe para explorar minerais estratégicos e terras raras

O Brasil e Arábia Saudita assinaram nesta terça-feira (13/1), em Riade, a capital saudita, um Memorando de Entendimento (MoU, documento que formaliza intenções entre as partes, embora sem vínculo contratual) para a cooperação bilateral em tecnologias e iniciativas de mineração.

O acordo, com vigência de cinco anos, prevê o fortalecimento da cooperação técnica entre os países em geologia, exploração e avaliação de recursos minerais no âmbito da “mineração sustentável”.

A cooperação deve envolver o intercâmbio entre especialistas e técnicos, o desenvolvimento de programas de capacitação profissional na área e a transferência de tecnologias aplicadas de última geração.

O foco é naqueles minerais considerados estratégicos para a transição energética por seu potencial de alta condutividade e resistência, usados em baterias (como as de veículos elétricos), turbinas eólicas, painéis solares e componentes de tecnologia (como chips e processadores).

Entre eles estão minerais como lítio, cobre, níquel e os elementos de terras raras (ETRs), o conjunto de 17 metais (além do escândio e do ítrio) considerados raros por sua dificuldade de extração.

O acordo incentiva projetos do setor privado de ambos os países e investimentos no setor mineral, como a aquisição de licenças de exploração e mineração. Também estabelece a possibilidade de uma “Aliança de Investimento” entre Brasil e Arábia Saudita, com o objetivo de fomentar projetos de processamento e beneficiamento de minerais.

Atualmente, o Brasil, que possui a segunda maior reserva de ETRs do mundo, ainda não refina os compostos, mas opera, em Poços de Caldas (MG), uma planta de extração em escala piloto como parte do Projeto Caldeira, da mineradora australiana Meteoric. A planta produziu seu primeiro lote de Carbonato Misto de Terras Raras (MREC), concentrado inicial que agrupa os 17 elementos de terras raras antes de sua separação em óxidos individuais, em dezembro de 2025. Atualmente, ele é considerado o projeto de ETRs em escala comercial mais avançado fora da China, país que domina o beneficiamento dos minerais.

Já a empresa Mineração Serra Verde, sediada na planta de Minaçu (GO), é o único produtor em escala comercial, fora da Ásia, dos quatro elementos críticos de terras raras, neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, destacados por seu papel na produção de ímãs permanentes de alto desempenho.

A CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) tem estudado tecnologias para o beneficiamento de terras raras (processo de separar e purificar esses elementos, que envolve etapas químicas e físicas complexas e agrega valor à cadeia de suprimentos) a partir de rejeitos de nióbio numa planta localizada em Araxá (MG), e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo, está desenvolvendo uma nova planta de processamento de terras raras e minerais críticos que visa avançar na tecnologia nacional de refino.

A assinatura do acordo recente entre os governos brasileiro e saudita aconteceu durante a participação de representantes brasileiros no Future Minerals Forum, evento internacional que reúne governos e empresas em torno de temas relacionados aos minerais do futuro e às estratégias de desenvolvimento sustentável no setor, segundo a Secretaria de Comunicação Social do governo. Empresas sauditas, como a Ma’aden (Saudi Arabian Mining Company), já manifestaram interesse em investir no setor minerador do Brasil.

“A Ma’aden vai se instalar em São Paulo com um escritório pela primeira vez. Isso abre uma perspectiva de recursos muito vultuosos; falaram em algo em torno de R$ 8 bilhões para mapeamento geológico no Brasil”, afirmou, em coletiva de imprensa após o Fórum, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

A Arábia Saudita, convidada a se unir ao BRICS em 2023, é considerada, atualmente, um membro em processo de adesão no bloco. O país, que mantém laços geopolíticos com os Estados Unidos, estaria “avaliando os prós e os contras” de sua participação, numa postura ainda considerada de “neutralidade positiva”.

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