Após iniciar os testes operacionais com cargas agrícolas, a Transnordestina deve avançar, nas próximas viagens experimentais, para a diversificação dos produtos transportados, ampliando o escopo de mercadorias além do granel sólido agrícola. A concessionária avalia incluir, ainda neste mês, cargas minerais, como gipsita, e, em uma etapa posterior, calcário e gesso agrícola, ampliando o leque de produtos testados na ferrovia.
A sinalização foi feita pelo diretor comercial e de Terminais da Transnordestina Logística, Alex Trevizan, ao comentar o segundo teste operacional da ferrovia, que levou 946,12 toneladas de sorgo do Piauí ao Ceará. Segundo ele, a fase experimental tem como objetivo verificar o comportamento da infraestrutura ferroviária diante de diferentes tipos de carga, com características operacionais distintas.
“Também pretendemos fazer um transporte com soja, mas fugindo um pouco do granel sólido agrícola, verificamos que há a possibilidade, ainda neste mês, de fazer um movimento de gipsita. Talvez no mês que vem de calcário e gesso agrícola, para diversificar um pouco mais para o granel sólido mineral”, afirmou.
A inclusão de cargas minerais nos testes representa um novo estágio da operação experimental da Transnordestina. Diferentemente dos grãos, produtos como gipsita, calcário e gesso agrícola possuem densidade, granulometria e padrões de manuseio distintos, o que exige ajustes específicos nos processos de carregamento, descarga e acondicionamento nos vagões, além de cuidados adicionais na movimentação nos terminais.
Esses testes permitem avaliar não apenas a capacidade de transporte da ferrovia, mas também a adequação dos terminais logísticos às exigências de diferentes cadeias produtivas. A movimentação de insumos minerais, por exemplo, demanda estruturas compatíveis para recebimento, armazenamento temporário e transbordo, aspectos que são observados durante as operações experimentais.
Atualmente, a Transnordestina realiza testes em um trecho autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) de aproximadamente 679 quilômetros. Desse total, cerca de 580 quilômetros vêm sendo efetivamente utilizados para o transporte comercial em caráter experimental. A concessionária já prevê a possibilidade de estabelecer novos fluxos dentro desse trecho autorizado, com variação de pontos de origem e destino conforme a mercadoria transportada.
O Terminal Logístico de Iguatu (TLI), no Ceará, tem papel central nessa etapa de testes, funcionando como ponto de chegada e de avaliação das operações de descarga e integração com o transporte rodoviário. A partir desse terminal, a concessionária observa o comportamento das cargas na ponta final da operação ferroviária, etapa considerada determinante para a definição de fluxos futuros.
Não há, até o momento, um número definido de viagens nem um prazo fixo para a conclusão dos testes operacionais. Segundo a Transnordestina Logística, o tempo de viagem de cada composição pode variar em função do tipo de carga, da configuração do trem e das condições operacionais ao longo do trajeto, o que torna necessária a repetição das operações para consolidação dos parâmetros técnicos.
Eficiência
Além da diversificação dos produtos transportados, a fase experimental também é utilizada para avaliar a eficiência dos processos logísticos associados à operação ferroviária. Um dos pontos centrais é a logística de transbordo nos terminais, especialmente a integração entre os modais ferroviário e rodoviário.
De acordo com Trevizan, a análise técnica envolve a agilidade dos acessos e a capacidade de manobra das carretas, fatores que influenciam diretamente o tempo de permanência dos vagões nos terminais. “Um dos fatores que analisamos é o ponto de carregamento e o ponto da descarga dos produtos, a questão dos acessos das carretas para que elas possam manobrar e fazer o transbordo direto, sai do vagão e já cai rápido no caminhão, para esse giro ser rápido”, explicou.
A velocidade desse processo é observada durante os testes por impactar o ciclo completo da operação ferroviária. Quanto menor o tempo de descarga e transbordo, maior a disponibilidade dos vagões para novos deslocamentos, o que é levado em consideração nas simulações realizadas pela concessionária.
O desempenho da infraestrutura ferroviária também vem sendo acompanhado ao longo das viagens experimentais. Segundo a empresa, a malha nova tem apresentado comportamento compatível com os parâmetros esperados de velocidade quando está em operação, permitindo à concessionária avaliar, em condições reais, os limites e as possibilidades da ferrovia antes da ampliação da operação comercial.