Corredor verde marítimo entre Brasil e Europa deve avançar nos próximos meses

O desenvolvimento de um corredor marítimo entre Brasil e Europa avançou no final de 2025 e deve ter desdobramentos nos próximos meses. Em dezembro, o navio-tanque de transporte de químicos Bow Leopard (foto), da norueguesa Odfjell SE, partiu para uma viagem de 5.000 milhas náuticas entre Brasil e Europa com emissões reduzidas e utilizou soluções de baixo carbono hoje disponíveis. De acordo com o site Marine Traffic, a embarcação está próxima à costa oeste da África. Baseado na certificação de biocombustível sustentável, a iniciativa foi desenvolvida em parceria com os portos de Rio Grande (RS), Antuérpia-Bruges, na Bélgica, e Roterdã, na Holanda.

O movimento foi considerado um passo importante para operacionalização de um corredor de descarbonização entre portos brasileiros e europeus. Os portos de Antuérpia-Bruges, Roterdã e Rio Grande estão trabalhando juntos com a Odfjell para avançar nesse corredor verde visando aumentar a eficiência energética e otimizar os processos portuários, sobretudo quando os navios estão atracados. A Odfjell é uma das principais empresas globais de transporte marítimo de produtos químicos a granel, com forte atuação no Brasil.

A empresa norueguesa adotou o B24, combustível com 24% de biodiesel produzido pela Petrobras com abastecimento em Rio Grande (RS), garantido por meio de um contrato de longo prazo com a companhia brasileira. “Fazemos isso para demonstrar que o combustível certificado, tecnologia e infraestrutura já estão disponíveis”, disse em nota o CEO da Odfjell, Harald Fotland. “Mostramos que o biocombustível sustentável é uma opção viável para o transporte marítimo de longa distância atualmente”, acrescentou.

A Odfjell informou que financiou esse projeto com recursos próprios e sem subsídios. “Ao cobrirmos os custos adicionais, eliminamos o elemento financeiro e passamos diretamente para implementação operacional. Pode não ser um corredor perfeito ainda, mas um começo sólido. O sucesso disso depende da colaboração em torno da cadeia de valor e estamos comprometidos em desenvolvê-lo mais juntos com parceiros relevantes”, disse Fotland.

A estratégia inclui a colaboração com portos para aumento da eficiência, com clientes para ampliar a capacidade de utilização, e com fornecedores de combustível para expandir o fluxo de combustíveis verdes. No Brasil, o B24 é o principal biocombustível sustentável certificado que está disponível atualmente. A mistura tem 24% de biodiesel renovável derivado de resíduos e 76% de VLSFO (very low sulphur fuel oil), produzidos pela Petrobras. A Odfjell afirma que sua jornada de descarbonização alcançou redução de 54% de redução da intensidade de carbono em comparação com o índice de referência de 2008, por meio da adoção de medidas técnicas e operacionais.

A expectativa da Odfjell é que o corredor opere entre 12 e 15 viagens por ano, cada uma delas com duração aproximada de 40 dias. A iniciativa está alinhada às metas da Organização Marítima Internacional (IMO) para 2030, ao pacote europeu ‘Fit for 55’ e ao memorando de entendimento Noruega–Brasil, reforçando a cooperação bilateral em soluções para uma economia de baixo carbono.

Fotland enfatizou que o corredor é um compromisso de longo prazo. “Com este corredor, integramos combustíveis mais limpos como um novo pilar em nossa estratégia de descarbonização. Acionamos toda a cadeia de valor para encontrar maneiras de descarbonizar nossas operações e estamos animados com a adesão de importantes parceiros a esta iniciativa inovadora”, declarou.

A cônsul-geral da Noruega no Rio de Janeiro, Mette Tangen, destacou, na última terça-feira (13), que os corredores verdes são prioridade do governo da Noruega para o transporte marítimo. Há previsão de que, até maio, ocorra um lançamento oficial em Brasília e, na sequência, em outros portos importantes que fazem parte do estudo, como Rio Grande e Santos (SP).

Os corredores de descarbonização são vistos como fundamentais para acelerar a transição energética no setor marítimo, conectando portos, empresas, fornecedores de combustível e operadores em torno de soluções reais, escaláveis e replicáveis. A viagem do navio da Odfjell é fruto de um acordo de entendimentos entre Brasil e Noruega.

O estudo de viabilidade desse corredor descarbonizado Brasil-Europa tem participação do conselho de pesquisa norueguês e da DNV. Para a classificadora, o lançamento do primeiro corredor verde Brasil-Europa é exatamente um exemplo prático de iniciativa de descarbonização necessária para acelerar o aprendizado, além de enviar fortes sinais de demanda e viabilizar o fornecimento em larga escala de combustíveis de emissões mais baixas.

O CEO da DNV para o segmento marítimo, Knut Ørbeck-Nilssen, lembrou que o ‘Forecast to 2050’ apontou biocombustíveis como uma opção pragmática para o transporte de longo curso, especialmente quando respaldados por modelos robustos de certificação e de rastreabilidade. “Este corredor verde mostrará como isso funciona na prática, demonstrando como a colaboração na cadeia de valor pode acelerar a transição e ajudar a atingir metas ambiciosas”, comentou Ørbeck-Nilssen em nota.

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