Indústria reúne governos para discutir futuro da Malha Sul

O futuro da ferrovia nos três estados do Sul será tema de debate hoje em Porto Alegre. A Federação das Indústrias do RS (Fiergs) promove, a partir das 14h, o encontro “Modal Ferroviário – Concessão Malha Sul”, que reúne representantes do governo federal, dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além de líderes do setor produtivo.

A atual concessão da Malha Sul, hoje operada pela Rumo Logística, vence em 2027, e o Ministério dos Transportes prepara ainda para este mês a apresentação do modelo preliminar de leilão. A proposta federal prevê o fracionamento dos mais de 6 mil quilômetros de trilhos em três corredores, desenho que vem sendo contestado pelos governos estaduais do Sul.

Participam do encontro o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, o superintendente de Transporte Ferroviário da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alessandro Baumgartner.

O principal ponto de tensão é o formato da concessão. Enquanto o governo federal avalia dividir a malha em três grandes corredores (gaúcho, Mercosul e Paraná), os estados defendem um modelo integrado ou com a separação entre gestão da infraestrutura e operação logística, com múltiplos operadores disputando o uso da via.

No RS, o tema é tratado por um grupo técnico liderado pelo vice-governador Gabriel Souza. O secretário-adjunto de Logística e Transportes, Clóvis Magalhães, integrante do debate de hoje, manifesta preocupação com o fatiamento. Pelo entendimento do Estado, a divisão tende a concentrar o interesse privado nos trechos mais rentáveis, em especial no Paraná, deixando o corredor gaúcho com menor atratividade.

A proposta em análise no Piratini prevê uma concessionária responsável pela via permanente e operadores logísticos competindo entre si pelo transporte de cargas, pagando pelo uso da ferrovia. O Estado, inclusive, prepara a contratação de uma consultoria técnica, via BRDE, para aprofundar estudos e apresentar alternativas durante a consulta pública federal.

Proposta da União

Pelo cronograma do Ministério dos Transportes, o estudo final da Infra S.A. abre a fase de audiências públicas. O leilão da Malha Sul está previsto para o segundo semestre de 2026.

O governo federal admite a necessidade de aporte público para viabilizar o trecho gaúcho, estimado entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões. No total, o pacote prevê até R$ 12 bilhões em investimentos nos três estados do Sul, voltados à recomposição da malha, modernização da infraestrutura e aquisição de material rodante.

No diagnóstico apresentado até agora, a situação da ferrovia é considerada crítica. Dos cerca de 3.823 quilômetros de trilhos no território gaúcho, apenas 921 quilômetros estão operacionais após as enchentes de 2023 e 2024. Outros 759 quilômetros seguem bloqueados, e décadas de subinvestimento reduziram a competitividade do modal.

Expectativa no Vale

Em dezembro, o governo estadual confirmou o avanço burocrático para a retomada do Trem dos Vales, com a recuperação dos primeiros 16 quilômetros entre Muçum e Vespasiano Corrêa, prevista para iniciar em 2026.

O projeto turístico é tratado como piloto para reativação ferroviária regional e depende da preservação da malha existente. A tragédia climática de maio de 2024 danificou mais de 700 quilômetros de trilhos no RS, interrompendo a ligação ferroviária com Santa Catarina.

Para o presidente da Amturvales, Rafael Fontana, as decisões tomadas agora na concessão federal vão definir se a ferrovia voltará a cumprir papel estratégico no transporte de cargas e no turismo regional.

O que está em jogo

A reunião promovida pela Fiergs deve consolidar posições e antecipar o embate que ocorrerá na consulta pública federal. Em 2026, a União definirá:

se a concessão será fatiada ou integrada;

o volume real de aporte público;

as responsabilidades pela recomposição da malha;

o modelo de competição entre operadores;

as metas de modernização da ferrovia.

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