
Pesquisadores da Universidade de Nanquim, na China, desenvolveram uma técnica inovadora capaz de ampliar de forma significativa a resistência mecânica da madeira, abrindo novas possibilidades para o uso desse material em aplicações estruturais.
O estudo, publicado no Journal of Bioresources and Bioproducts, descreve um método de autodensificação que a transforma em um material mais robusto, sem a necessidade de processos industriais de alto consumo energético.
Madeira superforte
O procedimento resulta em uma madeira com desempenho superior em tração, flexão e resistência a impactos, superando tanto a natural quanto materiais densificados por métodos tradicionais. Diferentemente desses processos, a técnica não exige prensagem a quente, reduzindo o consumo de energia e tornando o método mais eficiente ambientalmente.
O avanço atende a uma limitação estrutural conhecida da madeira: apesar de ser renovável, econômica e de baixo impacto ambiental, sua aplicação é restrita pela resistência relativamente baixa à tração. Essa fragilidade está ligada à microestrutura do material, cujas fibras de celulose e lignina apresentam lúmens — canais internos ocos para transporte de seiva — que diminuem a densidade e comprometem a resistência mecânica.
Como foi criada?
A técnica de autodensificação atua justamente sobre essa fragilidade estrutural.
Primeira etapa – remoção parcial da lignina: A madeira é fervida em uma solução de hidróxido de sódio e sulfito de sódio, tornando sua estrutura mais flexível para o processo de densificação.
Segunda etapa – preenchimento dos lúmens: O material é imerso em uma solução de cloreto de lítio e dimetilacetamida, que provoca a expansão da celulose e da lignina remanescente, preenchendo os canais internos ocos.
Terceira etapa – secagem controlada: A madeira é deixada para secar ao ar por cerca de dez horas. Durante esse período, ocorre uma retração uniforme, preservando praticamente o comprimento original da peça.
Comparação com métodos tradicionais: Ao contrário da madeira comprimida convencional, que pode apresentar deformações dimensionais, a madeira autodensificada mantém melhor sua forma, resultando em uma peça mais estável e resistente.
A estrutura final é mais compacta e homogênea, o que explica o aumento significativo das propriedades mecânicas observadas em testes laboratoriais. Com o avanço da tecnologia, a madeira autodensificada pode substituir materiais mais caros e pesados, como metais, especialmente na construção civil, ampliando seu potencial como material de alto desempenho que alia resistência estrutural e sustentabilidade.