O presidente Lula da Silva esteve na última terça-feira (20), em Rio Grande (RS). Foi assinar os contratos para a construção de um pacote de embarcações do Programa Mar Aberto, uma iniciativa voltada à renovação e ampliação da frota do Sistema Petrobras dentro do programa de retomada de contratação de novas embarcações da Transpetro, subsidiária da Petrobras que cuida do setor para a estatal.
Ao todo, Petrobras e Transpetro estão contratando cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores, num investimento total de R$ 2,8 bilhões, com potencial de geração de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos.
Setor naval do RS
É um contrato importante para o setor naval do Rio Grande do Sul. Porque as grandes embarcações serão construídas em estaleiros no Rio Grande do Sul, o Estaleiro Rio Grande que será o responsável pelos gaseiros; de Santa Catarina, com o estaleiro Indústria Naval Catarinense ficando responsável pela construção de 18 empurradores; e do Amazonas, onde o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia construirá as 18 barcaças.
Nenhum estaleiro do Nordeste pegou nenhum contrato. Especialmente os estaleiros Atlântico Sul e o Vard Promar ambos com experiência naval e que foram responsáveis pelo maior pacote de encomendas do segundo governo Lula quando do anúncio da retomada da indústria naval brasileira. Não há notícias de que o Atlântico Sul sequer tenha participado das licitações.
Frota própria
Segundo a Petrobras, com essas novas embarcações para a frota própria, haverá redução da dependência de afretamentos, proporcionando maior flexibilidade e eficiência às operações logísticas de movimentação de gases liquefeitos (GLP) e de outros produtos.
Os investimentos em encomendas para indústria naval e offshore fazem parte de um ciclo de novos negócios e oportunidades, fortalecendo a cadeia produtiva industrial brasileira da qual o Nordeste está fora.
Navios gaseiros
Ainda segundo Transpetro, os navios gaseiros foram contratados por meio de licitação aberta e internacional, em dois lotes com oito embarcações no total. O estaleiro Rio Grande foi contratado para construir cinco navios pressurizados destinados ao transporte de GLP e de derivados: três com capacidade de 7 mil m³ e dois com 14 mil m³. O investimento total nessas construções totaliza R$2,2 bilhões.
O lançamento da primeira unidade está previsto até 33 meses após o início das obras, com novas entregas a cada seis meses. E os gaseiros serão até 20% mais eficientes no consumo de energia, reduzirão as emissões de gases de efeito estufa em 30% e poderão operar em portos eletrificados.
Empurradores
Por sua vez, a aquisição de 18 barcaças e 18 empurradores – que representam um investimento de R$620,6 milhões – será feita por dois estaleiros nacionais que foram vencedores do processo licitatório.
O estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, de Manaus (AM), será responsável pela construção das 18 barcaças, com a entrega da primeira unidade prevista três meses após o início da obra. O estaleiro Indústria Naval Catarinense, localizado em Navegantes (SC), construirá os 18 empurradores, com a entrega inicial programada para 10 meses após o início da fabricação.
Frota de cabotagem
O programa Mar Aberto terá aportes estimados em US$ 6 bilhões no período de 2026 a 2030; a iniciativa contempla a construção de 20 navios de cabotagem, além de 18 barcaças e 18 empurradores, bem como a previsão de afretamento de 40 novas embarcações de apoio destinadas à renovação da frota de suporte às atividades de exploração e produção (E&P).
As contratações de grandes navios foram as primeiras depois do escândalo Lava Jato no qual o Atlântico Sul esteve envolvido e cujo final das encomendas levou ao pedido de recuperação judicial onde se encontra atualmente. E fazem parte de uma nova estratégia da Transpetro no segmento de gestão de transporte de petróleo da estatal Petrobras.
Mais atribuições
No final do ano passado, a Transpetro ampliou sua atuação na logística de petróleo e derivados ao incorporar a Petrobras Logística de Exploração & Produção S.A. (PB-LOG) à sua estrutura.
Com a mudança, a Transpetro passou a atuar também no apoio marítimo e no controle de emergências em áreas exploradas por consórcios que são operados e liderados pela Petrobras. A PB-LOG era uma subsidiária integral da Petrobras e passou a integrar a estrutura de gestão da Transpetro.
Serviços logísticos
A empresa oferece dois tipos de serviços logísticos: o Controle de Emergências, que inclui o combate a possíveis derramamentos de óleo no mar, disponibilidade dos recursos e equipamentos de combate ao blowout submarino e centros de defesa ambiental; e Logística Integrada, que contempla soluções logísticas de recebimento de material, guarda e transporte (terrestre, marítimo e aéreo).
A Petrobras e a Transpetro vêm firmando desde 2023 uma série de contratos voltados à retomada da indústria naval brasileira, mas até agora apenas os estaleiros Estaleiro Enseada — Bahia, Ecovix e McLaren — Rio Grande (RS) e Niterói (RJ). Atualmente a empresa avalia incluir quatro Panamax (PMax) no ciclo de negócios 2026–2030.