A era dourada da mineração no RN

O Rio Grande do Norte viveu um dos períodos mais prósperos de sua história econômica durante o que ficou conhecido como o “ciclo da Scheelita”, mais precisamente na cidade de Currais Novos, na região Seridó, e teve como uma de suas principais figuras o desembargador Tomaz Salustino Gomes de Melo.

Nascido na cidade de Acari, Salustino se formou em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife e retornou ao estado como o primeiro juiz de Currais Novos, cidade que em que ele construiu seu legado colocando o Rio Grande do Norte no mapa mundial da mineração.

Isso aconteceu com a fundação da Mina Brejuí, em 1943, ano em que Salustino identificou o potencial da scheelita em terras potiguares e que se tornou matéria-prima estratégica e essencial para a produção de tungstênio utilizado na indústria bélica.

A grande demanda internacional surgiu quando as reservas americanas começaram a se esgotar e as fontes europeias e asiáticas ficaram inacessíveis devido ao conflito mundial. Oportunidade única para que o empresário potiguar aproveitasse as riquezas minerais da região Seridó.

A dimensão do sucesso de Tomaz Salustino pode ser medida pelo reconhecimento internacional que recebeu em 1954 ao ser reconhecido pela revista norte-americana Time, como a quarta fortuna em potencial do mundo.

Sua visão empresarial e capacidade de aproveitar as oportunidades do mercado internacional fizeram dele uma das figuras mais admiradas do cenário econômico nacional. O desembargador também atuou na política, exercendo os cargos de deputado estadual e vice-governador do Rio Grande do Norte. Ele faleceu em 1963.

A Mineração Tomaz Salustino gerou milhares de empregos diretos e indiretos, contribuindo significativamente para o desenvolvimento humano e social da região do Seridó. Além da extração mineral, a empresa promoveu melhorias na infraestrutura local, construção de estradas e desenvolvimento urbano de Currais Novos. O ciclo econômico também impulsionou o comércio, os serviços e outras atividades complementares, criando uma dinâmica econômica que sustentou a região por décadas.

Contudo, o declínio do ‘ciclo da Scheelita’ começou com o fim da Segunda Guerra Mundial e a normalização dos mercados internacionais de tungstênio, quando outras fontes voltaram a se tornar acessíveis. A concorrência internacional aumentou significativamente, e os preços do mineral começaram a cair, reduzindo a rentabilidade das operações na Mina Brejuí.

Mudanças tecnológicas na indústria também contribuíram para a diminuição da demanda pela scheelita, com o desenvolvimento de materiais alternativos e processos produtivos mais eficientes. Gradualmente, a mineração perdeu sua posição de destaque na economia estadual, embora tenha continuado operando em menor escala.

Em 1979, a Tribuna do Norte publicou um material a respeito dos 36 anos do Grupo Tomaz Salustino em que cita “36 anos gerando riquezas para o Rio Grande do Norte”.

Já em 2006, a TN trouxe a seguinte manchete: “Scheelita volta a ser promessa para o RN” citando que “mineradores se organizam para aproveitar alta internacional nos preços do minério”.

O Ciclo da Scheelita representa um capítulo único na história econômica do Rio Grande do Norte, demonstrando como a visão empreendedora e o aproveitamento de oportunidades podem transformar regiões inteiras.

Ferro e ouro

Em 2019, a TN noticiava que o RN era o 9º do País na produção bruta de ferro e ouro. O Rio Grande do Norte é o nono estado do País na produção bruta de ferro e ouro, este último, originário das áreas de garimpo e contabilizada apenas na produção beneficiada. Segundo o Anuário Brasileiro Mineral, publicado em 2018 com dados de 2017, nestas condições, a produção de ouro no RN foi de 12.513 toneladas, e a bruta de ferro, 1.818 toneladas, e a beneficiada foi de 34 kg.

Os metálicos responderam por 80% do valor total da produção mineral comercializada no Brasil, e as onze substâncias minerais acima corresponderam a 99,6% desse valor ou R$ 88,5 bilhões.

No Rio Grande do Norte, apesar de sua baixa participação na produção mineral brasileira, já foi o maior produtor de scheelita (ou xelita) da América do Sul, com a mina Brejuí, no município de Currais Novos, no Seridó potiguar.

Minério fundamental para a indústria bélica durante a Segunda Guerra Mundial, o início a exploração da scheelita em Currais Novos foi em 1943 mas a Mina Brejuí foi construída nove anos depois, em 1954, pela empresa Tomaz Salustino. A atividade levou o desenvolvimento ao município e movimentou toda a economia do município.

A scheelita é fonte do tungstênio, mineral metálico de largo uso na indústria metalúrgica, elétrica, mecânica, bélica, aeroespacial, petrolífera e fabricação de canetas.

Com o fim da guerra fria e a entrada da China barateando o preço no mercado internacional, nos anos 1990, as minas de scheelita no Seridó entraram em plena decadência encerrando um importante ciclo de crescimento econômico na região do Seridó.

Na década de 1970, o Seridó teve produção de scheelita em minas de pequeno a grande porte, além da extração em garimpos nos municípios de Currais Novos, Jucurutu, Angicos (região central), Parelhas.

As minerações em Currais Novos, aos poucos, retomam a atividade exploratória. A Brejuí, por exemplo, que chegou a ser maior produtora da América do Sul, tem potencial, segundos os gestores, para produzir por mais vinte anos. E há interesse de grupos estrangeiros em explorar a atividade.

Por causa da Guerra, os americanos instalaram a sua maior base aérea fora dos Estados Unidos, em Natal, com o objetivo de servir de Trampolim para que suas aeronaves abastecessem na ida para os campos de batalha na Europa, e na volta.

O uso de tungstênio sempre foi estratégico para o governo dos Estados Unidos. As minas que abasteciam os americanos ficavam na Europa e na Ásia e, por causa do conflito, era impossível voos e navegação comercial. A presença americana no Nordeste do Brasil, desde os anos 1940, teve como objetivo estimular a criação de minas e exploração de novos minérios, entre eles, tantalita, berilo, columbita e scheelita. Todos usados na indústria pesada.

Em Parelhas, foi montada uma agência de compra de minérios com fornecimento de instrumentos utilizados na escavação como pás e picaretas. Também davam orientação técnica sobre minérios e até carroças para transporte do material extraído foi doado pelos americanos.

Por causa do interesse dos americanos, os trabalhos de prospecção apontaram mais de 600 ocorrências minerais no Seridó, como em Currais Novos com as minas Brejuí, Barra Verde e Boca de Laje, ainda em atividade, e Bodó, na Serra de Santana. As ocorrências também ocorriam na Paraíba. Tudo que os americanos queriam e, por isso mesmo, muitas dessas minas foram exploradas por grupos nacionais e internacionais.

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