Aço verde, cuja produção tem menos emissões, ainda está em pesquisa

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A produção de aço verde vem sendo bem explorada no exterior. A siderúrgica Stegra está investindo perto de € 300 milhões na construção de uma fábrica no norte da Suécia, onde vai produzir, a partir do ano que vem, briquetes de minério de ferro feitos a partir de hidrogênio verde (H2 V), matéria prima para produção de aço com menor impacto ambiental.

No Brasil, no entanto, as siderúrgicas caminham lentamente nessa direção. “As usinas que operam no país ainda não produzem aço verde”, diz Marília Rabassa, consultora da Clean Energy Latin American (Cela), uma butique de investimentos e assessoria estratégica para o setor de energia renovável. Um levantamento da Cela registrou, até agora, somente seis iniciativas e projetos com vistas à produção de aço verde no país. “A maior parte dos projetos anunciados está em fase de pesquisa e desenvolvimento, ou estudo de viabilidade financeira”, afirma ela.

O desafio é mais tecnológico do que de carência de investimentos, embora os projetos exijam recursos elevados, avalia Rabassa. Maior motivação é a descarbonização. A indústria do aço é uma das maiores emissoras de carbono do mundo. Responde pelo menos por 9% das emissões globais de CO2. “O modelo tradicional de produção do aço utilizando carvão e gás natural está ultrapassado, e as empresas estão olhando o processo produtivo usando H2 V como uma grande alternativa para descarbonizar o aço”, diz a consultora.

Segundo Gustavo França, diretor global de TI e digital da Gerdau, a companhia já investe em H2 V. “Há um projeto nos Estados Unidos voltado para a pesquisa de uso de hidrogênio verde em escala industrial na produção do aço”, conta. “A iniciativa em pesquisa recebeu o investimento de US$ 10 milhões, o maior valor já destinado pelo governo norte-americano como incentivo a estudos de descarbonização, e visa trazer mais conhecimento sobre o uso do hidrogênio em escalas piloto e industrial”, indica França.

A pesquisa está sendo conduzida pela Purdue University, com apoio da Linde (empresa global do setor de gases industriais e engenharia) e de empresas produtoras de aço. Os testes serão realizados na planta da Gerdau em Monroe, Michigan (EUA). A Gerdau aposta forte também na cadeia de reciclagem de sucata para a produção com baixa emissão de carbono. Cerca de 70% do aço que produz é feito a partir do material.

A ArcelorMittal, com atuação em oito Estados brasileiros, está em fase de homologação de uma solução de suspensão mais sustentável e com menor impacto ambiental, desenvolvida em parceria com a thyssenkrupp. Em seu processo produtivo, denominado XCarb, a empresa utiliza níveis altíssimos de sucata de aço em fornos elétricos alimentados exclusivamente por energia elétrica renovável certificada, resultando em uma baixa pegada de carbono.

Uma das soluções, a Barra Chata Mola XCarb, utilizada na produção de feixes de mola para suspensão de veículos pesados, desenvolvida na unidade de Barra Mansa (RJ) com matéria-prima 100% reciclada e energia 100% renovável, está sendo fornecida às principais montadoras de veículos do país e no mercado de reposição

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