
A siderúrgica Aço Verde do Brasil (AVB) registrou lucro líquido de R$ 12,1 milhões no terceiro trimestre de 2025, uma queda de 88,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando havia lucrado R$ 106,9 milhões. O resultado reflete a queda do preço do aço causada pela entrada de produtos importados, sobretudo da China, e em menor proporção, a redução no volume em função de troca de equipamentos.
No comparativo trimestre anterior, a companhia reverteu o prejuízo de R$ 0,9 milhão apoiada na melhora do resultado financeiro e na geração de caixa operacional de R$ 166,8 milhões. A receita líquida da AVB alcançou R$ 442 milhões entre julho e setembro, queda de 25,1% em relação ao mesmo recorte temporal de 2024. Já a melhora em relação ao trimestre anterior foi impulsionada pelo crescimento de 25% nas vendas de laminados, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste.
O Ebitda ( Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) ajustado foi de R$ 81,6 milhões, com redução de 58,7% em relação ao mesmo período de 2024. A margem Ebitda ajustada ficou em 18,5%, ante 33,5% no mesmo trimestre de 2024.
Demanda da construção civil
Ao Valor, a presidente da companhia, Silvia Nascimento, contou que havia uma expectativa de melhora no setor, no segundo semestre, puxada, principalmente, pelo aumento da demanda do segmento de construção civil.
“O terceiro trimestre foi melhor do que o segundo, e estamos vendo um quarto trimestre bastante positivo. Outubro foi um mês recorde, com sinais de recuperação de preços, entre 2% e 4%, a depender do cliente”, explica.
A alavancagem líquida (Dívida Líquida/Ebitda) permaneceu em 1,3 vezes, com dívida líquida de R$ 563,9 milhões. A empresa encerrou setembro com R$ 712 milhões em caixa, o equivalente a 3,5 vezes a dívida de curto prazo. Segundo a executiva, isso dá conforto financeiro diante das oscilações de mercado.
Concorrência com a China
A percepção da executiva é que o setor siderúrgico, por meio do Instituto Aço Brasil, tem avançado em negociações com o governo federal na busca de uma solução para o que considera uma concorrência desleal na entrada de aço importado no mercado nacional.
“O governo tem sinalizado que vai endereçar uma solução. O presidente Lula se mostrou preocupado com o setor (…). Soma-se a isso que os clientes estão repondo estoques e estão comprando na expectativa de que os preços podem subir mais”, afirma.
“Pegamos o dinheiro barato para pagar dívidas caras”
No trimestre, a companhia captou R$ 68,5 milhões junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para investir em projetos de inovação e sustentabilidade. Outro destaque é o avanço das Debêntures Verdes, lançadas em 2024, as primeiras do setor siderúrgico nacional. “Pegamos o dinheiro barato para pagar dívidas caras e engordou o caixa”.
Debêntures Verdes representam 14,9% da dívida bruta da companhia. No total, as cinco emissões de debêntures somam mais de 70% da dívida bruta, com custo médio de 103% do CDI e liquidez suficiente para cobrir 78% dos vencimentos até 2028.
Ano eleitoral e tarifas dos EUA
“Para 2026, será um ano de consumo bom. Um ano eleitoral de muito incentivo ao programa Minha Casa, Minha Vida, obras de infraestrutura e muito forte para a construção civil, que vai continuar movimentando a demanda por aços longos e a continuidade da recuperação dos preços. Também estamos confiantes de que o governo vai tomar alguma medida contra o aço importado”, acrescentou.
Neste trimestre, a empresa fez uma importação de 11 mil toneladas de ferro-gusa para a Big River, nos EUA. Uma segunda remessa sai em meados de novembro, já que o segmento se livrou das tarifas de 50% do governo americano.