Avião movido a hidrogênio, carros voadores, estradas inteligentes: como vamos nos locomover no futuro

Uma poderosa convergência de tecnologias colocou a mobilidadena rota da inovação, prometendo alterar profundamente a forma como iremos nos locomover em 2035. As análises das principais consultorias globais apontam para um futuro marcado pelaeletrificação massiva do transporte rodoviário, pela transformação de veículos em plataformas de serviços digitais e por uma mudança cultural em direção ao compartilhamento.
Os sinais já existentes no mercado nos permitem vislumbrar um mundo em que teremos à disposição carros voadores – os chamados eVTOLs, ou veículos elétricos de decolagem e pouso vertical – para ir e voltar do trabalho e drones para entregar as compras, seja da Amazon, seja da farmácia da esquina. A mobilidade sustentável também deve avançar, por meio de carros movidos a energia solar e veículos elétricos com baterias de lítio-enxofre (Li-S), que são mais baratas e emitem bem menos CO2 do que as usadas hoje. Além disso, os congestionamentos urbanos tendem a diminuir com o avanço dos táxis aéreos elétricos e também por sistemas de sensores controlando o fluxo.
As mudanças vão reverberar em diversos setores, como automotivo, aviação, transporte marítimo e rodoviário, além das cadeias logísticas globais do varejo. “Na próxima década, o ecossistema de mobilidade provavelmente passará por uma transformação nunca vista desde os primórdios do automóvel – e uma das principais mudanças será o declínio do uso de carros particulares”, diz a McKinsey no relatório “O Futuro da Mobilidade em 2035”. Com essas transformações, a indústria da mobilidade deve movimentar US$ 1 trilhão em 2035, segundo relatório da consultoria Oliver Wyman.
Confira alguns dos principais números do setor, segundo as consultorias McKinsey e Oliver Wyman:
US$ 1 trilhão é quanto o mercado global de mobilidade deve faturar em 2035, ante os US$ 389 bilhões registrados em 2023
US$ 440 bilhões é o quanto a micromobilidade deve movimentar em 2030, mais que o dobro dos atuais US$ 180 bilhões
US$ 610 bilhões é a projeção de quanto os serviços digitais embarcados devem gerar em receitas para o setor de mobilidade em 2035
25% será o crescimento médio anual dos serviços digitais em mobilidade a partir de 2035
10 empresas que vão mudar a mobilidade nas cidades
Enxame de drones
Amazon
Estados Unidos
Fundação: 1994
A Amazon promete revolucionar o mercado global de entregas online por meio de seu programa Prime Air, que tem como meta enviar 500 milhões de pacotes via drones anualmente em 2030. A estrela dessa estratégia é o MK30, drone lançado recentemente na cidade College Station, no Texas, e na região metropolitana de West Valley Phoenix, no Arizona. O equipamento faz entregas com um alcance duas vezes maior do que os modelos anteriores testados pela Amazon. Com capacidade de voar a uma velocidade de 117 km por hora, ele consegue enviar, por pedido, itens com peso de até 2,2 kg. “É o primeiro drone que desenvolvemos do zero usando um processo baseado em requisitos mais rigorosos, que nos permitirão atingir meio bilhão de clientes anualmente”, disse Stephen Wells, engenheiro-chefe de projetos da equipe Prime Air, em artigo no site da Amazon. Agora, a empresa trabalha para ampliar a capacidade de peso transportado pelos equipamentos, para que seja possível enviar mais produtos num mesmo pedido, e para distâncias mais longas. Hoje a cena pode parecer estranha, mas até 2035 não será nenhum absurdo imaginar enxames de drones voando pela cidade e entregando encomendas em prédios e residências.
Baterias ecológicas
Stellantis
Estados Unidos
2021
A gigante automotiva, que tem como meta se tornar carbono zero até 2038, deu um grande passo para alcançar a meta ao se associar à Zeta Energy, empresa de tecnologia de baterias. As duas empresas irão desenvolver em conjunto as novas baterias de lítio-enxofre (Li-S), que carregam 50% mais rápido, têm maior autonomia e custam a metade do preço, por kWh, em relação às atuais de íon-lítio. Produzidas com materiais residuais de metano, as Li-S devem emitir menos CO2 do que as baterias convencionais, segundo a Stellantis. A previsão é que os carros da Stellantis já estejam com as novas baterias até 2030.
Ao gosto do freguês
Hero Moto
Índia
1984
Moto ou triciclo? O novo Surge S32, da fabricante indiana Hero Moto Corp, junta os dois. Movida a bateria, a inovação foi pensada para ser uma solução de mobilidade urbana, podendo se transformar de uma motocicleta para um carro de três rodas em três minutos. O veículo permite que os usuários optem pela versão em duas rodas, mais compacta, para as horas de rush, e usem o formato com três rodas em momentos mais tranquilos. A Hero Moto Corp já solicitou mais de 40 patentes relacionadas ao design do Surge S32, que deve ser comercializado na Índia nos próximos anos. “As pessoas o chamam de Batmóvel”, afirmou Pawan Munjal, CEO da companhia.
O carro voador brasileiro
Embraer
Brasil
1969
Por meio da EVE, a companhia planeja para meados deste ano o primeiro voo do modelo de seu eVTOL. Com os protótipos prontos, a Embraer vai iniciar sua primeira temporada de testes de voo em 2026, o que deve levar de 12 a 18 meses. A certificação deve vir em 2027, segundo a empresa.
Transporte marítimo elétrico
China Ocean Shipping Group (Cosco)
China
1961
O transporte marítimo, grande causador de poluição nos oceanos, é a última fronteira da mobilidade limpa. A chinesa Cosco resolveu enfrentar esse desafio e lançou o maior navio de carga elétrico do mundo. Chamado de Greenwater 01, ele tem 120 metros de comprimento e uma capacidade de bateria de 50 mil kWh, que pode ser expandida para até 80 mil kWh. Com a propulsão elétrica por bateria, espera-se que o navio economize 3,9 mil kg de combustível a cada 100 milhas náuticas (185,2 km) e reduza as emissões de CO2 em 12,4 toneladas nesse percurso. A capacidade de carga do Greenwater 01 é de 700 TEU, sendo cada TEU equivalente a um contêiner-padrão de 6 metros de comprimento. “O navio pode trazer reduções significativas de emissões e fornecer forte suporte para a indústria de transporte marítimo atingir a neutralidade de carbono”, disse a Cosco por ocasião da viagem inaugural do navio.
GPS à prova de ataques
SandboxAQ
Estados Unidos
2022
A SandboxAQ desenvolve um sistema de navegação magnética que impede que os sinais de GPS sejam falsificados. A inovação utiliza sensores quânticos e algoritmos de IA para preservar a segurança do GPS, o que é fundamental para setores como aviação, comércio e defesa. Não foi por acaso que a empresa recebeu, em janeiro, um aporte de US$ 150 milhões de investidores como Google e Nvidia, elevando a rodada Série E para US$ 450 milhões. Segundo a Nasdaq, os investidores apostam em uma tecnologia pós-silício, baseada na combinação de computação quântica com IA.
Impulso aos carros elétricos
Volkswagen
Alemanha
1937
A Volkswagen decidiu acelerar sua estratégia de transição para os carros elétricos. Com esse objetivo, sua subsidiária PowerCo está construindo megafábricas de baterias na Alemanha, Espanha e Canadá. Juntas, elas terão potencial para alimentar 2,5 milhões de carros elétricos.
Hidrogênio no ar
Airbus
França e Alemanha
1970
Para a Airbus, o hidrogênio terá um papel crucial na descarbonização da aviação a longo prazo, promovendo uma revolução no transporte aéreo comparável à dos veículos elétricos no mercado automotivo. Por isso, a empresa criou o projeto ZEROe, que tem como ambição desenvolver a primeira aeronave comercial movida a hidrogênio.
Estradas inteligentes
Cavnue
Estados Unidos
2020
Com a intenção de “construir a estrada do futuro”, a startup americana Cavnue concluiu recentemente o projeto piloto “Corredor de Veículos Conectados e Automatizados”, usando como base a Rodovia 94, no Michigan, Estados Unidos. Cinco quilômetros da estrada já estão equipados com sensores inteligentes, instalados a cada 200 metros. O experimento é parte de um projeto maior da Cavnue, que pretende criar uma “infraestrutura física, digital, de coordenação e operacional para explorar todo o potencial dos veículos conectados e autônomos”, segundo a empresa. O investimento até o momento foi de US$ 15 milhões. “Os sensores irão fornecer insights aos governos proprietários das rodovias, o que ajudará a acelerar melhorias e reparos”, afirmou Tyler Duvall, CEO da Cavnue.
Tanque cheio de sol
Aptera Motors
Estados Unidos
2005
Sol: esse é o combustível do futuro para a startup californiana Aptera Motors. A empresa desenvolveu um veículo elétrico com design futurista, com três rodas em vez de quatro, e lugar para duas pessoas. O automóvel é capaz de rodar 64 quilômetros por dia usando apenas a energia solar armazenada em painéis espalhados pela carroceria. Apresentado na feira de tecnologia CES deste ano, em Las Vegas, nos Estados Unidos, o carro futurista consome 30% menos energia do que os veículos elétricos e híbridos convencionais e, com a bateria carregada, tem autonomia de 640 km. Ao apostar em uma energia limpa inesgotável e totalmente sustentável – a solar –, a Aptera pretende transformar a mobilidade urbana. “Este veículo representa anos de pesquisa e de uma busca incansável por mobilidade com eficência energética”, disse Chris Anthony, co-CEO da startup, em palestra na CES, em janeiro. O veículo, que tem preço estimado em US$ 40 mil, deve começar a ser produzido comercialmente ainda neste ano. Segundo a Aptera, já são cerca de 50 mil unidades reservadas por consumidores nos EUA, representando mais de US$ 1,7 bilhão em receita potencial.
E-bikes tecnológicas
Segway
China
1999
A fabricante quer transformar a experiência da micromobilidade com duas novas bicicletas elétricas supertecnológicas, a Xyber e a Xafari. Elas são equipadas com tecnologias inteligentes, como um pedal adaptativo que identifica subidas e descidas e o AirLock, sistema que desliga automaticamente a bicicleta para usuários não autorizados.
Logística inteligente
Amitruck
Quênia
2019
Marketplace de logística digital, a startup está levando inovação ao transporte de carga no leste da África, que sofre com uma estrutura deficiente. A Amitruck conecta companhias produtoras com empresas de transporte de carga por meio de processos de licitação digital, eliminando intermediários.
Novos híbridos
Ferrari
Itália
1947
A Ferrari registrou uma patente para motores a combustão com pistões ovais. Eles facilitam a integração com um sistema híbrido e permitem um melhor aproveitamento de espaço no motor. O registro indica a estratégia de desenvolvimento de uma nova geração de motores híbridos, com potencial para transformar a indústria automotiva.
Inspeção em segundos
Uveye
Israel
2016
A tecnologia da empresa, que usa IA e algoritmos para “escanear” em segundos a parte mecânica, tem potencial para transformar o setor de inspeção veicular. De olho nisso, a Toyota investiu US$ 191 milhões na companhia.
Supercomputador no carro
Volvo
Suécia
1927
A nova geração de carros totalmente elétricos da empresa, com uma plataforma de supercomputação alimentada pelos sistemas Nvidia DGX, coleta dados de vários sensores para entender o que está acontecendo dentro e ao redor do carro de maneira mais eficaz do que nunca.

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