BHP diz que interferência política crescente ameaça transações em mineração

A diretora de estratégia da BHP alertou que a “politização” de minerais essenciais está tornando os acordos de mineração mais “complexos”, no momento em que a consolidação do setor de recursos naturais encontra-se em alta.

Catherine Raw, diretora de desenvolvimento da maior mineradora do mundo, disse que a intervenção crescente dos governos — à medida que os países tentam exercer mais controle sobre seus recursos nacionais — vem adicionando atritos às conversas e poderá elevar os custos para as empresas.

“A voz das partes interessadas, especialmente os governos e as autoridades reguladoras, está ficando mais forte e, por isso, a natureza de qualquer acordo tende a se tornar mais complexa”, disse Raw, em entrevista ao Financial Times.

“Algumas dessas tendências mais nacionalistas podem gerar atritos, dificultando a redução dos custos de forma geral”, disse ela, acrescentando que a polarização e a competição entre os países poderão levar a “resultados econômicos pouco eficientes”.

Onda de fusões e aquisições

As declarações de Raw surgem num momento em que o setor minerador vive uma onda de fusões e aquisições, enquanto governos se empenham mais em garantir cadeias de suprimentos de minerais e controlar operações nacionais de mineração e processamento, o que muitas vezes torna os acordos mais difíceis de concretizar.

A Anglo American, alvo de uma tentativa fracassada de aquisição pela BHP no ano passado, concordou com uma fusão amigável de US$ 53 bilhões com a Teck Resources no mês passado, despertando a atenção de investidores, analistas e comentaristas políticos no Canadá. A Rio Tinto e a Glencore desistiram de discussões sobre uma fusão no início deste ano.

Raw esteve envolvida na proposta de 39 bilhões de libras da BHP pela Anglo American, que foi rejeitada pela companhia no ano passado e gerou oposição de políticos sul-africanos.

Outros grandes negócios que foram frustrados por interferência governamental incluem a oferta hostil da Glencore pela canadense Teck Resources em 2023, que foi duramente contestada pelo governo canadense.

Em 2023, o Panamá forçou o fechamento de sua maior mina de cobre, controlada pela First Quantum, listada no Canadá, em parte devido a preocupações com a propriedade estrangeira e protestos públicos generalizados.

Os Estados Unidos — que recentemente passaram a ter participações diretas em companhias mineradoras como MP Materials e Lithium Americas — interferiram no ano passado para impedir a venda da Chemaf, dona de uma mina de cobre e cobalto na República Democrática do Congo, para a fabricante chinesa de armamentos Norinco.

Raw, 44, entrou para a BHP em abril de 2024 em meio à sua oferta pela Anglo American, e havia sido anteriormente diretora financeira da Barrick Mining. Ela comanda a divisão de estratégia, que inclui fusões e aquisições, desenvolvimento de negócios e planejamento de longo prazo.

A companhia, avaliada em US$ 140 bilhões, está mudando seu foco do minério de ferro, um ingrediente essencial na siderurgia e sua maior fonte de receita, para o cobre, usado em redes e fiação elétrica.

“O setor de mineração está entrando na fase de investimento, entrando em um período de reinvestimento, e poderá haver consolidação para lidar com isso”, disse Raw, acrescentando que a BHP sempre está em busca de novas oportunidades. Questionada, ela não quis comentar se a BHP poderá lançar uma proposta pela Anglo American.

Tarifas dos EUA

A maior mineradora do mundo tem se manifestado abertamente sobre sua oposição às recentes tarifas e barreiras comerciais, depois que os EUA impuseram impostos elevados sobre aço e alumínio.

“A politização do controle sobre esses fluxos de commodities se torna mais desafiadora para nós enquanto organização global”, disse Raw.

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