BorgWarner mira montadoras chinesas e prevê crescimento de 25% com avanço dos turbos leves no Brasil

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A BorgWarner vive um “ano de ouro” em 2025. Prestes a completar cinco décadas de presença no Brasil, a fabricante de sistemas automotivos de Itatiba (SP) deve encerrar o ano com um crescimento de 25% em receita, impulsionado pela expansão da linha de turbocompressores leves e pela conquista de novos clientes no mercado nacional e internacional.

A companhia, que começou suas operações no País atendendo exclusivamente veículos pesados, consolidou nos últimos anos um reposicionamento estratégico voltado à motorização leve — movimento que acompanha a tendência global de downsizing e eficiência energética. Hoje, 68% da produção da unidade paulista é dedicada a veículos de passeio, contra 32% para o segmento pesado. Há uma década, essa relação era exatamente o oposto.

“Estamos completando cinquenta anos de ouro, e 2025 realmente está sendo um ano especial”, resume Melissa Mattedi, diretora-geral da fábrica de Itatiba. Segundo a executiva, o crescimento é sustentado tanto pelo aumento das encomendas de turbos flex de montadoras locais quanto pelas exportações indiretas via Argentina, país que tem ampliado a demanda por modelos equipados com componentes produzidos no Brasil.

Negociações com montadoras chinesas ampliam horizonte

Em busca de novos contratos e diversificação de clientes, a BorgWarner iniciou recentemente negociações com quatro montadoras chinesas — BYD, GWM, Geely e Chery — para o fornecimento de turbocompressores destinados a veículos leves. A iniciativa nasceu de uma visita de executivos da empresa à China, realizada no mês passado, e agora avança para reuniões em território brasileiro.

“Estamos prospectando esses novos negócios, acompanhando os planos de nacionalização das marcas que estão se instalando no País e avaliando quais modelos terão produção local”, explica Mattedi.

BYD e GWM já montam veículos no Brasil, enquanto Chery e Geely também estudam ampliar suas operações no país. Para a BorgWarner, a presença crescente das montadoras chinesas representa uma oportunidade de consolidar sua liderança tecnológica e ampliar o fornecimento para uma nova geração de automóveis eletrificados e híbridos, que também utilizam turbos.

A empresa já assinou contrato com uma fabricante instalada no Brasil — cujo nome ainda não foi revelado —, e o fornecimento começará em 2026. O acordo reforça a posição da BorgWarner como uma das principais fornecedoras de turbos para veículos flex nacionais.

Hoje, cerca de 50% dos carros de passeio equipados com motores turbo-flex no país contam com componentes da BorgWarner, enquanto a outra metade é atendida por concorrentes como a Garrett, parceira da General Motors. A diretora destaca que, embora o Brasil ainda tenha uma penetração de turbos em torno de 50% dos veículos leves, esse índice tende a crescer e se aproximar dos 70% registrados na Europa.

Expansão sustentada por tecnologia e flexibilidade produtiva

A fábrica de Itatiba opera em três turnos na linha de turbos leves, sinal de que a capacidade instalada — atualmente entre 83% e 85% — ainda permite expansão. Em contrapartida, a linha de pesados reduziu o ritmo no segundo semestre, refletindo a instabilidade econômica e geopolítica global. “O mercado de caminhões e ônibus foi impactado pela cautela das empresas após o aumento das tarifas e o adiamento de investimentos em renovação de frota”, comenta a executiva.

Mesmo com o arrefecimento no segmento pesado, a BorgWarner segue apostando na diversificação tecnológica. A empresa produz componentes para veículos eletrificados em outras unidades ao redor do mundo e está pronta para ampliar essa produção no Brasil, caso surja demanda local. “Temos uma linha ampla de produtos para eletrificados — sistemas de resfriamento e controle térmico de baterias, ventiladores eletrônicos e outros componentes. Se houver procura, podemos nacionalizar rapidamente”, afirma Mattedi.

A executiva também destaca que o avanço da eletrificação não representa uma ameaça, mas sim uma oportunidade. “Os híbridos, predominantes na transição energética da nossa região, também utilizam turbos. Por isso, vemos espaço para crescimento até pelo menos 2030”, avalia.

Cinco décadas de inovação e liderança

Fundada em 1975, a unidade de Itatiba já produziu mais de oito milhões de turbocompressores, além de seis milhões de embreagens viscosas, ventiladores e correntes de sincronismo. A BorgWarner é fornecedora de todas as marcas da Stellantis e da Volkswagen, além de manter contratos globais com outras montadoras.

Nos últimos anos, a empresa ampliou de forma significativa sua participação no segmento de veículos leves, acompanhando a expansão dos motores turbo 1.0 e 1.3 flex. O contrato firmado com a Stellantis em 2019 e a consolidação do fornecimento à Volkswagen foram marcos nessa transformação. Agora, a perspectiva é que a parceria com novas montadoras — inclusive as chinesas — consolide uma segunda onda de crescimento.

Para Melissa Mattedi, o momento marca não apenas a celebração de uma trajetória sólida, mas também a preparação para um novo ciclo tecnológico. “A BorgWarner sempre acompanhou as mudanças da indústria automotiva. O turbo se tornou símbolo de eficiência e sustentabilidade — e nossa missão é continuar inovando para um futuro cada vez mais limpo e competitivo”, conclui.

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