
O setor ferroviário brasileiro vive um momento de atenção estratégica, com iniciativas do governo e do setor privado voltadas para expandir a malha de trilhos, aumentar a participação das ferrovias no transporte de cargas e fortalecer a indústria nacional de materiais e equipamentos ferroviários. Recentes anúncios do Ministério dos Transportes indicam que, em 2024, mais de 540 milhões de toneladas úteis foram transportadas pelo modal ferroviário, e há projeções de crescimento acelerado nos próximos anos — um avanço estimado como superior ao registrado nos últimos 30 anos.
Para especialistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), priorizar ferrovias e cabotagem é essencial para reduzir custos logísticos e desafogar o transporte rodoviário. Além disso, o governo federal lançou recentemente a Frente Parlamentar para o Fortalecimento da Indústria Ferroviária Brasileira, com o objetivo de criar um ambiente regulatório mais favorável e atrair investimentos privados ao setor.
Apesar do otimismo, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais significativos. Hoje, menos de 15% da carga do país é transportada por ferrovias, bem abaixo da meta de 40% prevista para 2035. A expansão do setor depende de segurança jurídica, previsibilidade regulatória e projetos maduros que convençam investidores privados a aportar recursos. A demanda por infraestrutura ferroviária para o escoamento de commodities, como minério e grãos, aumenta a pressão sobre concessões e sobre a indústria nacional de trilhos, locomotivas e sistemas de sinalização.
Para o setor, os benefícios de um modal ferroviário robusto vão além da logística. A expansão das ferrovias impacta diretamente cadeias industriais estratégicas, como siderurgia, construção de trilhos e inovação tecnológica em transporte, além de gerar empregos qualificados. Entretanto, entraves regulatórios ou atrasos nos projetos podem comprometer esses ganhos, adiando obras, elevando custos e aumentando a competição com players internacionais.
O momento, portanto, exige equilíbrio entre políticas públicas, investimento privado e inovação tecnológica. A expectativa é de que, com os esforços atuais, o Brasil não apenas aumente sua eficiência logística, mas também consolide uma indústria ferroviária moderna e competitiva, capaz de atender tanto à demanda doméstica quanto a oportunidades de exportação no futuro.