A transição energética global, que promete aumentar em seis vezes a demanda por minerais críticos até 2040, traz à tona uma grande oportunidade para o Brasil, um dos países com maiores reservas de recursos como lítio, níquel e terras raras. Contudo, o país enfrenta desafios significativos para alcançar esse potencial, já que a produção atual ainda é muito pequena em relação aos líderes mundiais, como China e Austrália.
A transição energética e o papel do Brasil
A transição energética, vital para combater o aquecimento global, é um dos motores da crescente demanda por minerais essenciais para as tecnologias de energia limpa, como baterias para veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de armazenamento de energia. O Brasil, com cerca de 10% das reservas globais desses minerais, tem a chance de se tornar um líder mundial nesse mercado, mas, atualmente, responde por apenas 0,09% da produção global.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o setor de minérios críticos e estratégicos no Brasil faturou R$ 21 bilhões no primeiro semestre deste ano, um aumento de 41,6% em relação ao mesmo período de 2024. No entanto, o país ainda enfrenta um grande atraso em relação a outras nações, como a China, que já domina a produção de terras raras e lítio, com 95% do mercado de refino global.
Investimentos e obstáculos para aumentar a produção
O Brasil está no caminho para atrair mais investimentos para o setor, com o projeto de criação da Política Nacional de Minérios Críticos e Estratégicos (PNMCE), que visa não apenas aumentar a produção, mas também garantir que a mineração seja feita de forma sustentável e competitiva. No entanto, a implementação da política enfrenta vários obstáculos, incluindo a resistência de investidores internacionais e a necessidade de melhorar a infraestrutura física, o fornecimento de energia confiável e a capacitação da mão de obra.
A criação do Regime Especial para a Indústria de Minerais para a Transição Energética (Reimte) busca oferecer incentivos fiscais para atrair empresas que agreguem valor ao minério extraído no Brasil. No entanto, o país ainda depende da exportação de commodities, com poucas empresas investindo em processos que agreguem valor aos minérios, como a produção de baterias e sistemas de armazenamento.
O Ministério de Minas e Energia (MME) promete garantir que as mineradoras atuem de maneira transparente e respeitem as regulamentações ambientais, mas os passos para efetivar essa política ainda são lentos.