CBMM amplia investimentos e renova contrato com Codemig para garantir produção de nióbio até 2070

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A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) prevê aumentar em 5% sua produção de ferronióbio neste ano, alcançando 100 mil toneladas, e investirá R$ 10 bilhões nos próximos cinco anos. Metade desse valor será destinada à expansão industrial e diversificação do portfólio, enquanto o restante contempla manutenção e inovação tecnológica. O anúncio ocorre em meio à renovação do contrato de exploração do nióbio em Araxá (MG), firmado com a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), que estende a parceria por até 45 anos — até 2070.

Principal fornecedora global de produtos de nióbio, a CBMM, controlada pela família Moreira Salles, mantém capacidade instalada para 150 mil toneladas anuais, diante de uma demanda mundial estimada em 125 mil toneladas. Segundo o chefe de estratégia da empresa, Eduardo Mencarini, o avanço nas operações reforça a estratégia de investir “à frente da demanda”, apostando em novas aplicações para o mineral. “Acreditamos que o nióbio ainda tem muitas aplicações inexploradas”, afirmou durante o congresso Exposibram, em Salvador.

A companhia destina mais de R$ 300 milhões por ano a pesquisa, desenvolvimento e inovação, buscando ampliar o uso do nióbio em setores como o de baterias. Já foram realizados testes em parceria com a Toshiba e a Volkswagen Caminhões e Ônibus, com foco em células de íons de lítio enriquecidas com nióbio — tecnologia que promete maior durabilidade e segurança.

O novo contrato entre CBMM e Codemig substitui o anterior, que expiraria em 2032, e amplia a participação da estatal mineira nos resultados da empresa. Agora, além dos 25% de lucro líquido sobre o nióbio, a Codemig passa a ter direito a igual fatia sobre a comercialização de outros minerais, como terras raras, sem necessidade de investimento adicional. O acordo também assegura participação de 25% nos lucros de eventuais rejeitos até 2085, garantindo previsibilidade de receitas ao caixa público mineiro.

Segundo a diretora-presidente da Codemig e da Codemge, Luísa Barreto, a decisão de renovar antecipadamente a parceria foi estratégica. “Essa parceria é a que leva à maior valorização da Codemig. Fizemos o contrato em termos melhores, com ganhos adicionais para o Estado e maior segurança jurídica”, afirmou. Em 2024, a participação da estatal gerou R$ 1,73 bilhão em receitas.

Com as minas de Araxá operando desde 1972, exploradas conjuntamente por meio da Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá (Comipa), o novo arranjo contratual equilibra a parceria: as projeções indicam que, até 2070, o volume extraído da mina da CBMM superará o da Codemig, ainda que o teor de nióbio da área estatal seja mais elevado. As reservas atuais estimam vida útil de 40 a 50 anos.

A expansão da CBMM ocorre em um contexto de crescente atenção ao papel do nióbio na transição energética e na indústria de alta tecnologia. Embora o mercado global de ferronióbio ainda seja relativamente pequeno — cerca de 128 mil toneladas anuais —, a empresa brasileira mantém liderança isolada e segue ditando o ritmo de oferta. Com 16 plantas industriais e cerca de 160 processos produtivos, a CBMM consolida sua posição como referência mundial no setor e fortalece as bases para um novo ciclo de crescimento sustentado até as próximas décadas.

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