O projeto de reativação da Hidrovia do Rio São Francisco foi detalhado pelo diretor de gestão administrativa e financeira da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), Leandro Gaudenzi, durante o congresso Smart Rivers 2025, realizado em Memphis, nos Estados Unidos. O encontro reúne especialistas e pesquisadores de diversos países em torno do transporte hidroviário interior.
Segundo a Codeba, a hidrovia tem potencial de movimentar até 5 milhões de toneladas de cargas já no primeiro ano de operação comercial, incluindo grãos, fertilizantes, gesso agrícola, açúcar, café e sal. A estimativa foi reforçada dias antes, em Salvador, no INDEX Bahia 2025, e ocorre em paralelo à portaria do Ministério de Portos e Aeroportos que autorizou a estatal a iniciar estudos técnicos para viabilizar a retomada.
O documento foi assinado pelo ministro Silvio Costa Filho e publicado em 26 de agosto no Diário Oficial da União. “O projeto vai fortalecer a economia local, promovendo um transporte mais eficiente, sustentável e integrado com outros modais”, afirmou o ministro.
Já o presidente da Codeba, Antonio Gobbo, destacou que a iniciativa abre espaço para novos cenários logísticos. “Temos novas expectativas de demanda que não estavam previstas até o ano passado. Inclusive, estamos trabalhando com a possibilidade de implantação de uma teia ferroviária para Aratu”.
O plano prevê a requalificação do trecho da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), entre Juazeiro e o Porto de Aratu, a conexão com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) em Bom Jesus da Lapa, por meio da ponte rodoferroviária sobre o Rio São Francisco, e a integração da Fiol à FCA, criando uma ligação direta entre Jequié e o Porto de Aratu. Além disso, o Ministério anunciou a construção de 17 Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4) ao longo do percurso, seis delas já em fase de projeto.
O Smart Rivers, promovido pela Associação Mundial para Infraestrutura de Transporte Aquaviário (Pianc), conta com a participação de uma comunidade interdisciplinar de profissionais, pesquisadores e tomadores de decisão. O objetivo do evento internacional é debater práticas e inovações para garantir segurança, sustentabilidade e desenvolvimento econômico em sistemas hidroviários interiores.