Com expansão das importações, planos são revistos

A expansão das importações de aço, que já respondem por quase 25% do abastecimento do mercado brasileiro, está levando a indústria siderúrgica nacional a reavaliar investimentos. Em maio de 2024, lideranças do setor, em reunião com o presidente Lula, anunciaram a intenção de realizar investimentos de R$ 100 bilhões até 2028. Este cenário não existe mais.

No decorrer de 2025, várias siderúrgicas passaram a operar com elevado nível ociosidade, na casa de 35% na média do setor, o que gerou uma mudança nos planos. O Instituto Aço Brasil, que ouve seus associados para fazer uma projeção de investimentos quadrienais, está coletando dados para o ciclo de 2025 a 2028. “Ainda não temos os dados fechados, mas posso antecipar que o volume será inferior ao previsto no ciclo anterior”, diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do instituto.

“Estamos levando uma goleada do produto importado da China, que chega ao Brasil com preços subsidiados”, diz Lopes. “É difícil manter planos de investimentos em um cenário como este. Não há previsibilidade”, afirma.

A Gerdau já anunciou que irá rever seus planos de investimentos, que rondam a casa de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões anuais nos sete países em que possui unidades produtivas. “Devemos manter o mesmo patamar de investimentos, mas a participação do Brasil nos próximos orçamentos será reduzida, enquanto a dos Estados Unidos será ampliada”, diz o CEO, Gustavo Werneck. Em 2025, a Gerdau realiza um programa de investimentos de R$ 6 bilhões, sendo R$ 4 bilhões no Brasil e o restante no exterior.

Investimentos já em execução não serão alterados, como o de R$ 3,2 bilhões até 2026 na mineração de Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG). A mina terá capacidade de produção anual de 5,5 milhões de toneladas de minério de ferro que serão destinados principalmente para a usina siderúrgica da companhia em Ouro Branco (MG).

A Usiminas optou por reduzir seus investimentos já neste ano. A companhia, que trabalhava com uma programação entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão para 2025, reduziu a janela para algo entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão, recursos destinados a melhorias operacionais. “Estamos trabalhando em um cenário de muitas incertezas. Os projetos precisam ser rentáveis, o que não ocorre hoje”, diz Miguel Homes, vice-presidente comercial da companhia.

Segundo o executivo, a Usiminas, que destina 90% de sua produção para o mercado interno, tem capacidade para produzir 6 milhões de toneladas por ano, mas está produzindo efetivamente algo em torno de 4 milhões de toneladas. “A situação atual é de segurar investimentos e reavaliar os planos para o futuro”, afirma.

A Aço Verde do Brasil, companhia que destina ao mercado interno 100% de sua produção, colocou seus investimentos em “stand by”, nas palavras da presidente, Silvia Nascimento. Os planos previam ampliação da capacidade produtiva em 30% nos próximos cinco anos. Hoje a siderúrgica tem capacidade para produzir 728 mil toneladas/ano, mas a previsão é fechar 2025 com uma produção um terço menor. Além de ociosidade, a indústria também enfrenta queda no preço dos produtos na casa de 12% a 14%. “O ano passado não foi bom, mas 2025 está sendo muito difícil. Não dá para concorrer com produtos chineses subsidiados”, diz Nascimento.

A empresária também se queixa da alta taxa de juros no país, que encarece os investimentos produtivos. “Nessas condições, não é interessante realizar investimentos”, afirma.

A ArcelorMittal Brasil está concluindo um ciclo de investimentos de R$ 25 bilhões iniciados em 2022, que incluíram a aquisição no ano seguinte, por R$ 11 bilhões, da Companhia Siderúrgica de Pecém e outros R$ 14 bilhões em projetos de geração de energia renovável, mineração, modernização e aumento de capacidade siderúrgica, que deve alcançar 17,5 milhões de toneladas anuais em 2026.

Até o final de 2025, o comitê de investimentos e o conselho de administração da ArcelorMittal pretendem avaliar o próximo ciclo de investimentos no país, que tem potencial de chegar a R$ 10 bilhões. Em fevereiro, a companhia chegou a anunciar a intenção de investir entre R$ 3,8 bilhões e R$ 4 bilhões na unidade de Tubarão (ES). A viabilidade do projeto, porém, está ameaçada diante das importações da China. “Se o Brasil não frear a importação de aço, nosso plano de investimento no país pode ser revisto e alguns projetos podem ser adiados”, diz Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil.

Na Aperam South America, a decisão de congelar investimentos no Brasil já foi tomada. A companhia que produz aço inoxidável e aço elétrico voltado para transformadores de energia e motores em sua usina em Timóteo (MG) iniciou em 2022 um programa de investimentos no país em duas etapas. Na primeira etapa, já concluída, foram aportados R$ 580 milhões. A segunda etapa previa investimentos da mesma ordem de grandeza, mas foram paralisados diante do aumento das importações de aço chinês, sem perspectiva de retomada. “Hoje, investir no Brasil não se justifica”, sentencia o CEO, Frederico Ayres Lima.

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