
O mercado da construção civil em Santos vive uma dupla dinâmica: ao mesmo tempo em que a orla marítima registra avanços expressivos — impulsionados pela valorização de terrenos, turismo e demanda residencial —, bairros do Centro e da Zona Noroeste enfrent um momento de retração ou menor movimentação. A análise é fruto de levantamento realizado junto a incorporadoras, agentes imobiliários e dados setoriais da região.
Na orla, o crescimento vem do apetite por imóveis de alto padrão, vista para o mar e infraestrutura consolidada, que torna a área atraente tanto para moradores quanto para investidores. Já no Centro histórico e na Zona Noroeste, os terrenos livres ou com perfil para novas edificações somam menor procura, o que preocupa construtoras e corretores. A composição do mercado — tipologia de imóveis, perfil de público e infraestrutura de apoio — favorece fortemente a orla nesse momento.
No Centro, o desafio está ligado à necessidade de revitalização, adaptação de edifícios antigos e maior atenção de políticas públicas para atrair empreendimentos novos ou reconversão de uso. Já na Zona Noroeste, embora existam terrenos com potencial de incorporação, fatores como infraestrutura, acessos, valor do solo e custo de logística ainda freiam parte dos investimentos.
Esse desequilíbrio territorial no setor traz implicações para emprego, valorização imobiliária e estratégia de crescimento das empresas de construção. A mudança na geografia da demanda pode exigir que construtoras reajam com modelos de negócio diferentes — como habitações de médio porte, retrofit de imóveis comerciais ou lotes residenciais para públicos mais amplos — para as regiões menos aquecidas.
Para o poder público, o cenário também exige reflexão sobre políticas urbanas — como oferecer incentivos para desenvolvimento no Centro e na Zona Noroeste, promover infraestrutura de mobilidade e parcerias público-privadas que estimulem a construção nessas áreas. No futuro, o equilíbrio entre crescimento da orla e revitalização de outras regiões poderá determinar a sustentabilidade do setor local.