A transição energética e a agenda de sustentabilidade estão transformando o papel da mineração global, e o Brasil pode se tornar um protagonista na chamada “mineração circular”, avalia Afonso Sartorio, líder de Energia e Recursos Naturais da EY.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (13), em Belém, durante a COP30, ele afirmou que o setor vem se adaptando para reduzir impactos ambientais e contribuir com a descarbonização da economia.
“A mineração e a sustentabilidade não são apostas, são fundamentalmente interdependentes”, disse Sartorio. “A mineração precisa ser responsável com o meio ambiente e com os territórios onde atua, e a sustentabilidade depende da mineração para fornecer os insumos necessários à infraestrutura e às tecnologias que vão descarbonizar a economia.”
Segundo o executivo, a demanda por minerais críticos, como cobre, lítio e terras raras, deve crescer até 500% nas próximas décadas, impulsionada pela transição energética e pela expansão das energias renováveis. “Essa corrida é necessária. As empresas precisam se planejar hoje para atender à demanda que será essencial para o planeta”, afirmou.
Sartorio destacou ainda que o setor tem avançado na chamada mineração circular, com iniciativas que reaproveitam rejeitos e reduzem o consumo de água e energia. Ele citou o programa da Vale para reaproveitamento de rejeitos de barragem, que deve representar 10% da produção de minério de ferro da companhia.
“Hoje vemos processos a seco, uso de rejeitos na construção civil e a ampliação da reciclagem, especialmente no alumínio, que já é produzido em grande parte a partir de material reciclado”, explicou.