Corte de emissões da mineração brasileira tem potencial para chegar a 90% em 25 anos

Estudo da Coalizão de Minerais Essenciais, liderada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) e pela Vale, com apoio do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), estima que esforços de descarbonização podem reduzir até 90% das emissões da mineração brasileira até 2050. “A análise envolve tecnologias já existentes, além daquelas ainda sem viabilidade comercial, mas que devem ser adotadas até 2050”, explica Marina Grossi, presidente do Cebds.

O documento destaca o potencial de três rotas. A primeira envolve reduzir as emissões da própria atividade em 80% e neutralizar 14% das emissões, alcançando o total de 90% graças a eficiência energética, biocombustíveis, eletricidade de fontes renováveis, eletrificação de frotas e equipamentos, e recuperação de áreas degradadas para neutralização de emissões residuais. A segunda mira contribuição da mineração para reduzir emissões da cadeia global do minério de ferro, com insumos para o aço de baixo carbono, como pelotas e briquetes, e redução de emissões em atividades como pelotização, transporte ferroviário e navegação internacional. A terceira foca minerais de transição energética, como cobre, níquel, bauxita, lítio e terras raras.

Para o líder de mineração e recursos naturais da Accenture no Brasil, Flávio Alves, alguns fatores impulsionam os investimentos das mineradoras em descarbonização. Um deles é a busca por excelência operacional e menores custos em longo prazo, decorrentes de iniciativas como adoção de fontes renováveis de energia. Outro é o acesso a financiamentos verdes.

“Análise envolve tecnologias já existentes e outras que devem ser adotadas até 2050” Marina Grossi

— Luiza Guitarrari

A CBA atua de forma integrada da mineração à reciclagem, com emissões na mineração cerca de quatro vezes abaixo da média do setor. A empresa tem iniciativas como a parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFB) para pesquisas sobre solos, restauração florestal e conservação hídrica. “A Operação Concomitante já integra extração, reconformação e reabilitação ambiental em ciclo contínuo, reduzindo em até 20% o tempo entre a lavra e o plantio”, diz o gerente-geral de sustentabilidade Leandro Farias.

A Vale investiu US$ 1,4 bilhão desde 2020 em projetos relacionados a descarbonização. Só em 2024 foram US$ 257 milhões e a estimativa para 2025 é de US$ 137 milhões, dos quais US$ 75 milhões para iniciativas como uso de etanol, caminhões elétricos e biodiesel em substituição a diesel na mina; etanol, biodiesel eletrificado e biodiesel em lugar de diesel na ferrovia; e biometano em substituição a gás natural no processo de pelotização. Já o projeto MinAInteligente usa inteligência artificial para otimizar o consumo de diesel em caminhões fora da estrada. Sua energia elétrica é 97,8% de fonte renovável e parceria com a Petrobras agrega biocombustíveis ao diesel para navios (biobunker), ferrovias e operação de mina (diesel R5).

Na Samarco, os projetos incluem uso de resíduos de lavra de mármore como coproduto na pelotização, substituindo parcialmente o calcário usado na composição das pelotas, e teste para trocar gás natural por bio-óleo nas usinas de pelotização, conta Thiago Marchezi, gerente-geral de planejamento estratégico, inovação e tecnologia da informação.

Mineração Morro do Ipê e Itaminas apostam em maior teor de ferro para contribuir com a descarbonização da siderurgia – quanto mais puro e minério, menos energia para o processamento. A primeira investiu R$ 1,3 bilhão nos últimos três anos para produzir cerca de 3,5 milhões de toneladas de minério de ferro “verde” (pellet feed), com teor em torno de 66% de ferro. “Em 2026 deve ser alcançada a produção total de 6 milhões de toneladas”, diz Cristiano Parreiras, diretor de assuntos corporativos e sustentabilidade da companhia. Já a Itaminas investe este ano perto de R$ 100 milhões em infraestrutura para elevar a concentração de ferro de 62%, hoje 30% da produção (o restante é 60%), para 67%.

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