Fabricantes de chassis acreditam em queda do setor no ano que vem

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Fabricantes de chassis de ônibus celebram a retomada do setor nos últimos três anos, após uma década de dificuldades, com destaque para este, que sustenta crescimento de 11,7%, com 21,2 mil unidades produzidas de janeiro a agosto. No entanto, não ignoram sinais de que este bom desempenho pode sofrer uma pausa e refletir em ligeira queda em 2026.

Foi o que disseram Walter Barbosa, vice-presidente de vendas e marketing de ônibus da Mercedes-Benz, Jorge Carrer, diretor de vendas de ônibus da Volkswagen Caminhões e Ônibus, e Paulo Arabian, diretor comercial de ônibus da Volvo, durante participação no Fórum AutoData Perspectivas Ônibus, na terça-feira, dia 16.

Barbosa citou a expansão das vendas, no acumulado do ano, de 14%, com 15,6 mil unidades, e ressaltou que, até o momento, o rodoviário é o único segmento a registrar queda, de 5%, com 1,5 mil vendas.

O destaque ficou por conta dos escolares, impulsionados pelo Caminho da Escola, com avanço de 30% e 3,4 mil unidades. Em segundo lugar está o fretamento, com 1,8 mil unidades e alta de 26%. Pilar do setor, o urbano emplacou 5,8 mil ônibus, incremento de 11% e, os micro-ônibus, 3,1 mil unidades, acréscimo de 9%.

“Tivemos um sinal de alerta ao vermos queda de 27% dos emplacamentos em agosto, a primeira do ano. Agora os efeitos da Selic a 15% ao ano, que leva os juros na ponta a taxas de 18% a 20% ao ano, começam a afetar o interesse do operador. O custo é extremamente alto para motivá-lo a renovar a frota”, disse o executivo da Mercedes-Benz.

Arabian complementou que a redução do dólar da casa dos R$ 6 para R$ 5,30 não ajuda o segmento, uma vez que beneficia o aéreo e, segundo ele, tende a conquistar os potenciais clientes de ônibus em viagens futuras:

“Sem contar que existe, nitidamente, estoque formado nas montadoras e não há desova neste mesmo ritmo. É difícil vir de anos bons e lidar com pressão inflacionária que não é contida pelos juros altos, aumento dos preços dos combustíveis, como diesel e gás, e do tíquete médio da carroceria. Isto deteriora a margem de ganhos”.

O executivo da Volvo pontuou que as dificuldades econômicas tendem a deflagar redução dos postos de trabalho nas empresas, o que diminuirá a demanda pelo fretamento. Perguntado sobre reflexo na produção da montadora ele disse que o modelo industrial modular permite ajustes na demanda conforme a produção, além da maior busca por mercados externos, a fim de compensar a possível estagnação do mercado interno. “Existem outras ferramentas além de férias coletivas.”

Carrer contou que como na VW Caminhões e Ônibus no último trimestre já é costume tirar o pé do acelerador na produção de chassis, não é preciso fazer mudanças drásticas. “No máximo ajustes nas horas trabalhadas, por exemplo, nas jornadas extras dos sábados, ou no segundo turno de produção, readequando o produto. Mas, com a nova licitação do Caminho da Escola acreditamos que se refletirá na produção já no início do ano que vem.”

A Volvo não tem produtos para entrar na briga pelo programa do governo federal e a Mercedes-Benz buscará voltar ao páreo, após ter ficado de fora no último leilão. Barbosa acredita que, por se tratar de ano eleitoral, os pedidos deverão se concentrar no primeiro semestre: “Imagino, no máximo, uns 3 mil carros, o que já é positivo, dado o cenário”.

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