
A indústria de ônibus vive um bom momento em 2025. Mas o cenário é desafiador e deverá piorar a médio prazo, avaliou Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea, que participou do Fórum AutoData Perspectivas Ônibus, na terça-feira, 16:
“A taxa Selic em 15% torna os financiamentos de ônibus proibitivos, pois quem compra está pagando 20% a 22% de juros. Quem investe R$ 100 milhões em veículos paga até R$ 22 milhões só de juros”.
Para Saltini a taxa segue sendo o principal alerta para 2026. Segundo ele se não começar a cair a demanda será bastante afetada, algo parecido com o que está acontecendo no segmento caminhões pesados neste ano. A instabilidade global também é outro ponto de atenção para 2026.
Ele entende que a elevação dos juros é uma ferramenta para combater a inflação no Brasil, porém, ele questiona a necessidade de juros tão altos: “Precisa ser uma taxa tão alta assim? Hoje os juros finais para financiamentos variam de 20% a 22%, mas se fosse algo em torno de 14%, como já foi no passado, o cenário seria bem diferente. O mesmo vale para a Selic, uma taxa de 10% é muito diferente da atual de 15%”.
Outro ponto que preocupa o executivo no médio prazo é a reforma tributária, que deverá elevar o preço final dos ônibus vendidos no País. Ele disse que as fabricantes nacionais pagarão mais impostos: atualmente as empresas pagam uma média de 12% de ICMS e 7% de PIS Cofins, totalizando 19%, porém, com a reforma tributária, o IVA deverá ser de 28%.
Mas nem só de pontos preocupantes é feito o cenário para 2026. Do lado positivo está uma nova licitação do programa federal Caminho da Escola, que deverá encomendar até 7 mil veículos, e que ajudará a movimentar a indústria no ano que vem:
“Esperamos que saia a nova licitação do programa Caminho da Escola e, quem sabe, ela supere as 7 mil unidades, pois traz um volume importante para o ano que vem. Isso pode ajudar na manutenção das vendas, empatando com 2025”.
De janeiro a agosto as vendas de ônibus cresceram 14,4%, com 15,7 mil emplacamentos, e a expectativa para o fechamento do ano é de 25,3 mil vendas, expansão de 12,8% sobre 2024. Já a produção cresceu 11,7% até agosto, com 21,2 chassis de ônibus fabricados, com projeção de alta de 14,3% até dezembro, chegando a 31,7 mil unidades fabricadas.