Gargalos em rodovias e cabotagem travam escoamento da produção do Nordeste

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A infraestrutura deficitária em portos e rodovias do Nordeste são uma trava ao desenvolvimento da região, segundo Gabriela Avelino, subsecretária de fomento e planejamento do Ministério dos Transportes. De acordo com ela, parte dos produtos nordestinos não consegue ser vendida em outras regiões do país pois a Bahia e outros Estados não estão conectados de forma eficiente com o restante do Brasil. Isso prejudica a geração de emprego e renda nesses locais.

“Temos limitação no modal terrestre para escoamento da produção. Há gargalos relevantes na BR-101 e muito relevantes na BR-116 [que cruzam o Nordeste de norte a sul]”, disse ela. “E também enfrentamos problemas para a cabotagem, que poderia ser mais utilizada para abastecimento do mercado doméstico, mas que enfrenta gargalos nos portos da região.”

Avelino falou sobre as condições da infraestrutura do Nordeste nesta terça-feira (28) em mais um evento da série de debates Logística no Brasil, promovida pelo Valor, com oferecimento de Infra S.A. e Ministério dos Transportes. Esta edição foi realizada em Salvador (BA) e reuniu, além de membros do governo, representantes do setor privado baiano.

Avelino disse que o Nordeste precisa de um sistema logístico com maior integração entre modais de transporte. Hoje, cerca de 65% das cargas da região são transportadas por caminhões em rodovias. Reduzir esse percentual é um dos objetivos do Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), coordenado pelo Ministério dos Transportes. O plano começou a ser debatido em 2024. Segundo a subsecretária, ele contém um diagnóstico extenso sobre os principais problemas de transporte do país para, a partir dele, traçar projetos para solucioná-los.

Para Pedro Paulo Magalhães, diretor de operações da Bahiainveste, empresa de capital misto voltada a promover ações para o desenvolvimento baiano, o Nordeste precisa de mais ferrovias interligadas com rodovias. Segundo ele, só com uma visão sistêmica da infraestrutura de transporte a Bahia conseguirá se tornar um hub logístico nacional, conectando o Centro-Oeste e o Sudeste do país. “A Bahia está vocacionada a isso, sendo o Estado brasileiro com mais divisas [oito]. Mas precisamos de infraestrutura.”

Jorge Bastos, presidente da Infra S.A., disse que os projetos ferroviários para o Nordeste estão em andamento. Ele lembrou que a Ferrovia Transnordestina está com suas obras “a todo vapor” e está pronta para iniciar os testes operaçionais. Ele prometeu lançar o edital de retomada da ferrovia em Pernambuco ainda esta semana. Destacou também que o governo federal tem feito esforços para concluir as obras da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol) e reestruturar a Centro-Atlântica (FCA) – o que não é trivial, disse ele. “A FCA é uma ferrovia de dois séculos atrás. Tem curvas horríveis, passa por dentro de cidades”, afirmou Bastos, que também participa da elaboração do PNL 2050.

Ana Josephina, representante da Federação das Empresas de Transportes dos Estados da Bahia e Sergipe (Fetrabase) e sócia-diretora da 3A Log, afirmou que a produtividade de sua empresa poderia ser até três vezes maior não fossem os problemas logísticos que afligem o Nordeste e, mais especificamente, a Bahia. Ela contou no evento que a 3A Log se dedica, principalmente, a transportar cargas de algodão produzido na Bahia visando à exportação. Hoje, segundo ela, 99% das cargas do produto são transportadas por caminhões e só 10% são exportados via portos baianos. A maior parte sai do país via porto de Santos (SP), cerca de 1.600 km do local onde o algodão é colhido.

Carlos Henrique de Oliveira Passos, presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), disse que, com a exportação do algodão via Santos, a economia baiana perde oportunidades. Marcus Alban, professor da Universidade Federal da Bahia, acrescentou que perdas como essa explicam por que o Estado tem economia cada vez menos relevante. Ele lembrou que, há 15 anos, a economia baiana era a quinta maior no Brasil no ranking estadual. Hoje, é a sétima, prestes a ser rebaixada à oitava posição.

Waldeck Ornelas, especialista em planejamento urbano regional, ratificou o mau momento da economia baiana. Segundo ele, ela está hoje sendo sustentada por incentivos fiscais para setores estratégicos para o Estado, como o automotivo. Ornelas lembrou que a reforma tributária vai extinguir a possibilidade de concessão desses benefícios, pois vai uniformizar alíquotas de tributos nacionalmente. Com a extinção, Ornelas vê a Bahia perdendo competitividade por conta de seus problemas logísticos. “Temos a segunda maior malha rodoviária do país, mas a condição dela é precária”, apontou o especialista. “Para sobreviver à reforma tributária, a Bahia precisa de infraestrutura.”

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