
A Gerdau vai expandir sua atuação no setor de mineração em Minas Gerais e, a partir de 2026, pretende disponibilizar ao mercado cerca de 2 milhões de toneladas de minério de ferro. O anúncio foi feito pelo CEO da companhia, Gustavo Werneck.
Embora a empresa opere no setor de mineração há duas décadas, esta será a primeira vez que a Gerdau estruturará uma produção acima da sua necessidade interna, com excedente destinado à venda no mercado.
“A gente entende que, do ponto de vista dos direitos minerários, estamos muito bem posicionados. Seria um desperdício não aproveitar a qualidade e a localização estratégica desses ativos em Minas Gerais”, disse em entrevista ao Valor.
Os primeiros 2 milhões de toneladas estarão disponíveis a partir de 2026 e virão de reservas minerais na mina de Miguel Burnier. Entretanto, a companhia não definiu metas de quanto essa operação e todos os direitos minerários poderão representar nos resultados. O plano, segundo o executivo, é avaliar gradualmente a intensidade da exploração e o resultado dos estudos, de acordo com as oportunidades de mercado.
“A gente vai estudar a possibilidade de alguma forma gerar valor para a companhia ao longo do tempo. Os direitos estão lá, mas não tem capacidade produtiva. Não tem um investimento desse tipo. Podem virar no futuro”, disse.
Os direitos minerários a que se refere o executivo dão à empresa não apenas a posse da terra, mas a autorização federal para explorar reservas minerais. A unidade de Miguel Burnier, em Minas Gerais, será a base dessa expansão.
Werneck ressaltou que a localização próxima à ferrovia é um diferencial competitivo, garantindo maior eficiência logística. Ele também destacou que a decisão vem em um momento em que o setor de mineração busca se reorganizar após as tragédias de Mariana e Brumadinho, que restringiram a produção de parte dos mineradores.
“Olhando mais para frente, se a Gerdau tem oportunidade de ser um pouco mais mineradora? Eu acho que sim, mas eu acho que tem muita oportunidade de a gente melhorar a nossa rentabilidade média no Brasil e produzir um pouco mais de minério. Então, isso vai ser um tema que vai tomar mais energia nossa a partir de agora porque seria talvez um desperdício da gente não usar a qualidade dos direitos minerários que a gente tem em Minas Gerais, à luz das oportunidades que estão surgindo”.
Segundo Werneck, os estudos sobre a viabilidade dessa operação ainda estão em andamento e vão determinar o tamanho do projeto no futuro. “Vamos estudar a possibilidade de, de alguma forma, gerar valor para a companhia ao longo do tempo. Esses direitos estão lá, mas ainda não existe uma capacidade produtiva instalada. Isso pode se transformar no futuro”, explicou.