A Gerdau prevê um crescimento moderado de suas operações no Brasil, em 2026. A avaliação foi feita por Maurício Metz, vice-presidente da Gerdau Aços Brasil, durante o Gerdau Day, evento realizado nesta quarta-feira (1), em São Paulo. O executivo destacou que diferentes segmentos da economia devem apresentar comportamentos distintos, influenciando diretamente a demanda por aço.
Segundo Metz, a construção civil, tradicionalmente um setor resiliente, deve registrar apenas uma leve expansão no próximo ano. O avanço mais tímido está associado ao cenário de juros elevados, que encarece o crédito e dificulta o financiamento de novos projetos habitacionais e de infraestrutura.
No caso do agronegócio, a Gerdau enxerga uma perspectiva positiva, porém dentro da normalidade. Metz frisou que a expectativa é de crescimento, mas sem resultados surpreendentes que possam impulsionar significativamente o consumo de aço no setor.
O executivo apontou que o setor automotivo ainda é uma incógnita para 2026. A entrada crescente de produtos importados principalmente da China preocupa a companhia, especialmente porque impacta a cadeia de suprimentos nacional. Hoje, cerca de 20% do mercado de autopeças são importados e um quinto desse volume é destinado aos EUA, o que pode reduzir o consumo interno de aço.
Tarifas de Donald Trump
Metz também comentou os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao aço importado. Ele destacou que a operação brasileira da Gerdau exporta pouco para a América do Norte, o que mitiga os impactos diretos sobre a companhia.
“Não temos os mesmos efeitos que outros ‘players’, mas nossos clientes sofrem, especialmente fabricantes de máquinas amarelas, o que pode indiretamente reduzir o consumo de aço”, disse.
O presidente da Gerdau Aços Longos na América do Norte, Chia Wang, disse que as recentes medidas de tarifação impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão redesenhando o mercado de aço na região e abrindo oportunidades para a empresa, que tem operações locais.
Segundo ele, apenas o Reino Unido conseguiu, até agora, negociar a redução das tarifas impostas pelos EUA, o que restringe a entrada de produtos importados. A Gerdau vem se movimentando para aproveitar o cenário, com um reequilíbrio da presença operacional (footprint), a fim de minimizar remessas entre países, e ajustando seu mix de produtos no Canadá para assegurar alta utilização de ativos, priorizando o mercado doméstico.
Durante o Gerdau Day, o executivo destacou que houve um aumento de 60% nas cotações de pedidos de aços especiais (SBQ) no mercado norte-americano. Com a retração das importações, a empresa espera capturar novos negócios e reforçar sua presença em setores estratégicos. Wang citou especialmente a energia renovável, onde a demanda por aço está em crescimento nos EUA, e a Gerdau possui uma posição relevante.
Para Wang, a indústria siderúrgica norte-americana tem capacidade suficiente para absorver o declínio das importações. As novas capacidades instaladas estão concentradas em planos e vergalhões, segmentos onde a demanda permanece firme.